“Mas nós, irmãos, somos filhos da
promessa, como Isaque.” (Gl 4.28).
INTRODUÇÃO
A lição desta semana é a respeito
da história apresentada por Paulo sobre Ismael e Isaque, os dois filhos de
Abraão. Ele fala da escravidão e da liberdade, representadas pelos dois filhos,
onde a escravidão é a perda da liberdade e da identidade. Os gálatas deveriam
compreender que a liberdade que receberam em Jesus estava sendo colocada em
risco por conta da decisão deles, de se sujeitarem aos ensinos dos judaizantes.
I. O QUE A LEI DIZ
1. Paulo se vale da história. A
fim de reforçar seu argumento, o apóstolo mostra aos gálatas a diferença entre
ser escravo e ser livre. Ele começa com a seguinte pergunta: “Dizei-me vós, os
que quereis estar debaixo da lei: não ouvis vós a lei” (v.1)? Em outras
palavras, “Já que vocês querem viver debaixo da Lei, ao menos vejam o que ela
diz”. Então ele partilha a história dos dois filhos de Abraão.
A Palavra de Deus nos informa que
Abraão teve diversos filhos além de Isaque e Ismael (Gn 25.1-7), mas somente os
dois primeiros são utilizados por Paulo para realizar a comparação necessária.
Esses dois filhos e suas histórias estão imersos em um contexto específico, a
saber, Ismael nasceu de um arranjo social, e Isaque, da promessa de Deus. No
tocante à origem social, um era escravo, e o outro livre, pois a mãe de Ismael
era uma serva de Sara, ao passo que Isaque era filho da esposa de Abraão, uma
mulher livre.
2. O significado de ser escravo.
No mundo do primeiro século, no Império Romano, a escravidão era bem conhecida.
Milhões de pessoas foram feitas escravas por causa de guerras, de dívidas, ou
porque nasceram filhos de escravos. O escravo era simplesmente uma pessoa que
não tinha direito sobre a própria vida. Sua vida e morte residiam nas mãos do
seu proprietário. Trabalhavam sem direito ou garantia alguma, até à morte, ou,
em alguns casos, até que o seu senhor lhe concedesse a liberdade, sendo que,
neste caso, o escravo agora livre, passava a ser chamado de liberto. Os gálatas
conheciam bem essa realidade. Os anos de dominação dos romanos mostravam a
vocação que tinham de dominação e de sujeição dos povos conquistados. As tropas
romanas situadas nas diversas metrópoles do império estavam lá para lembrar
quem eram os senhores e quem eram os vassalos.
3. A busca pela liberdade. Paulo
se utiliza da história de Abraão para ilustrar o que os gálatas precisavam
saber. Ele é chamado de pai da fé, mas é dele que também procedem os judeus. O
patriarca era casado com Sara, e a promessa de ser uma grande nação foi dada a
ambos, não somente a Abraão. A genética repassada do patriarca aos seus
descendentes seguia uma linha de muitos séculos, onde, por vezes, os hebreus se
viram dominados por outros povos. Eles sabiam a importância de serem livres, e
no primeiro século não desfrutavam ainda de plena liberdade.
II. O FILHO DA CARNE E O FILHO DA
PROMESSA
1. A carne e seu filho. A
comparação que Paulo faz com referência a Ismael, o primeiro filho de Abraão,
como sendo o resultado não da fé ou da promessa, mas como sendo um arranjo de
uma decisão baseada em um pensamento humano diante da impaciência. A ideia
partiu de Sara, que seguiu um costume de sua época, em que uma escrava poderia
dar um filho ao seu senhor.
Ninguém poderia negar que Ismael
era filho de Abraão. Entretanto, ele representa um arranjo humano, uma forma de
antecipar a realização da promessa de Deus. Sempre teremos dificuldades quando
tentarmos ajudar Deus a cumprir o que Ele, de bom grado, nos prometeu.
Hagar enquanto estava grávida
desprezou sua senhora, e depois Sara ordenou que Hagar fosse embora. Ambas se
irritaram e competiram, e Abraão estava nesse fogo cruzado. Uma criança nasceu,
mas não segundo a vontade de Deus. Paulo vai, por analogia, dizer que Ismael é
o filho gerado pela carne. Ele não faz essa declaração com desprezo, pois seu
objetivo é exemplificar aos gálatas a diferença entre confiar na carne e
confiar na promessa de Deus.
2. A promessa e seu filho. Isaque
foi chamado de “filho da promessa”. Apesar da incapacidade de Abraão e Sara de
poderem experimentar a paternidade e a maternidade durante décadas, Deus lhes
havia feito uma promessa. Abraão seria pai de uma multidão de pessoas, e Sara,
a mãe. Sara deu a ideia a Abraão de tomar uma escrava para ser mãe, mas, mesmo
assim, Deus não retirou o que havia dito para com a esposa de Abraão, pois a
fidelidade do Eterno é inquestionável. Ismael podia ser o mais velho
biologicamente, mas ele não estava vinculado à promessa de Deus. Isaque foi
dado a Abraão e Sara como garantia de que Deus cumpre o que promete. É à
descendência de Isaque, e não de Ismael, que os crentes seriam associados.
3. O escravo persegue o livre. A
Palavra de Deus nos diz que no momento da cerimônia em que Isaque, o filho da
promessa, foi desmamado, Ismael zombou dele (Gn 21.8.9). Da mesma forma que
Hagar quando engravidou zombou de Sara, Ismael o faz com Isaque. Aqui temos
duas lições. A primeira é a do exemplo: crianças aprendem com o que veem e
ouvem dos pais. Elas simplesmente reproduzem as atitudes dos pais, mesmo sem
entender completamente o que fazem. A segunda lição é a de que quem tem
liberdade dentro de casa pode ser perseguido por quem não a tem. Foi o que
aconteceu com os gálatas. Nasceram livres, mas estavam sendo colocados debaixo
de servidão pelo discurso dos judaizantes. A cena ocorrida séculos antes estava
se repetindo.
Os judaizantes também tinham
ouvido o Evangelho primeiro, mas por se prenderem a aspectos da Lei mosaica,
esqueciam do seu verdadeiro Messias, Jesus, e se colocavam sob escravidão mais
uma vez. E agora, estavam induzindo os gentios nesse mesmo caminho.
III. A SOLUÇÃO PARA ESSE CONFLITO
1. Lança fora a escrava e seu
filho. Sara ofereceu Hagar a Abraão para que ela pudesse ser mãe. Abraão não
questionou a ideia da esposa. Hagar engravidou e desprezou Sara, que mandou a
escrava embora. Hagar encontrou um anjo no caminho que a ordenou que voltasse
para se humilhar diante de Sara. Todos, exceto o anjo, agiram sem pensar.
2. Somos filhos da livre. Ao
qualificar Ismael como filho da carne, Deus não lhe privou de bênçãos, mas não
deu a ele as mesmas que deu a Isaque (Gn 21.13).
As palavras de Sara nos mostram a
consequência de uma inimizade, e ao mesmo tempo, uma solução para os gálatas:
Eles deveriam lançar fora os judaizantes e seus ensinos, e viverem como
verdadeiros filhos de Abraão segundo a promessa de Deus. Por qual motivo? Os
gálatas eram, da mesma forma que Isaque, filhos da promessa: “De maneira que,
irmãos, somos filhos não da escrava, mas da livre” (Gl 4.31).
3. Não tornem a ser escravizados.
Paulo nos dá duas ordens aqui: Estejam firmes na sua liberdade, e não se
coloquem debaixo de servidão. Na primeira observação, ele ordena que a
liberdade que receberam em Cristo seja defendida a todo custo. Na segunda, ele
aponta que era possível os gálatas serem escravizados, não por uma força
militar externa, ou como despojo de guerra, ou por causa de uma dívida, coisas
comuns para a escravidão naquela época. O que Paulo mostra é que os gálatas
estavam se sujeitando voluntariamente à perda da liberdade. Por isso ele diz
que eles não se sujeitem à escravidão que a Lei e os judaizantes estavam lhes
imprimindo.
CONCLUSÃO
A comparação que Paulo faz sobre
Ismael e Isaque foi esclarecedora para os gálatas e o deve ser também para nós.
Pode haver dois filhos, mas só um era de acordo com a promessa. Em Jesus, somos
filhos da promessa de Deus a Abraão, e não dependemos da Lei para ser
conduzidos a Deus. Por fim, cabia aos gálatas entenderem que não deveriam se
colocar debaixo de um jugo de servidão, pois deixariam de ser livres em Cristo
para serem servos da carne.