“Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.” (Gl 3.26).
RESUMO DA LIÇÃO
A promessa de Deus não pode ser revogada pela Lei, pois Deus
não se contradiz.
TEXTO BÍBLICO - Gálatas 3.17-24.
INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos que Paulo se refere à importância da
promessa em detrimento da Lei. Os judaizantes criam que eram a semente de
Abraão, e somente eles. Mas Paulo mostra que a semente de Abraão, para Deus, é
mais abrangente, e alcança todos os que creram e creem em Jesus pela fé, judeus
e gentios. A Lei, que é o pacto moisaico, não tem o poder de anular a promessa
de Deus feita ao patriarca 400 anos antes, pois Deus não voltou atrás em sua
promessa.
1 -. O PACTO DE DEUS ANTERIOR À LEI
1. A Lei não invalida o testamento. Paulo se vale de uma
linguagem jurídica para mostrar aos gálatas a importância das promessas de
Deus. Aqui, ele apresenta uma contraposição entre a promessa e uma lei. Deus
fez promessas a Abraão, e destacamos a de que ele seria pai de uma grande
nação. Pelo que vemos ao longo da revelação divina, com base em Gênesis 12.3:
“em ti serão benditas todas as famílias da terra”, o alcance da promessa divina
a Abraão ia além da sua semente física. Deus fez um pacto com Abraão, e esse
pacto não seria revogado pela lei de Moisés.
Na língua grega há duas expressões para a palavra “aliança”.
A primeira é syntheke, “colocar junto”, onde um pacto é feito entre partes
iguais, com direitos iguais de discutir o acordo a ser proposto. A segunda
palavra é diatheke, “colocar por”, e traz a ideia de um acordo em que as partes
são desiguais, quando uma parte coloca os termos e a outra aceita ou rejeita.
Esse é o termo que Paulo usa para explicar o pacto de Deus com Abraão. O
patriarca, como ser humano, era limitado no que poderia oferecer a Deus, exceto
pela fé que tinha no Eterno. Deus, por sua vez, prometeu bênçãos a Abraão, e
uma vez feito o pacto acerca dessa promessa, não voltaria atrás. Em sua
presciência, Deus sabia que os gentios seriam alcançados e experimentariam a
oportunidade de viver pela fé.
2. A herança vem pela promessa. Por mais que a herança possa
ser regulamentada por uma lei, ou seja, por mais que uma lei defina as regras
para que uma herança possa ser dada e recebida, a lei não tem o poder de
modificar a vontade do testador, nem de alterar o testamento depois de o
testador ter falecido. A lei pode regulamentar, mas não invalidar o testamento,
ainda mais se essa lei veio muito tempo depois de o testamento ter sido
acertado entre o doador e o herdeiro. A promessa de Deus a Abraão não poderia
ser revogada pela Lei que Deus deu ao seu povo. A herança não viria através da
Lei, mas da promessa baseada e ratificada pelo testamento entre Deus e Abraão.
3. A Lei existe por causa das transgressões. Paulo explica o
motivo da Lei existir, pois se não o fizesse, certamente os gálatas manteriam a
percepção de que seguir os preceitos mosaicos, sendo gentios, era a forma
correta de viver o Evangelho. De certa forma, a Lei de Moisés pode ser
comparada a um objeto que tem a capacidade de refletir a imagem de uma pessoa,
mas não de limpá-la. A Lei mostrava quem a pessoa era, mas não podia mudá-la.
Espelhos não mudam a aparência das pessoas que se colocam diante deles.
A Lei tinha por objetivo regular as relações entre o homem e
Deus, entre o homem e o seu próximo e o homem consigo mesmo. Era um código de
suma importância para os hebreus. Ela existia porque a natureza pecaminosa dos
filhos de Abraão era a mesma natureza pecaminosa dos demais seres humanos, e os
hebreus pelo menos teriam um referencial escrito para não pecar contra Deus.
Como já sabemos, a Lei apontava o pecado. Ela, de certa
forma, restringia a maldade, e nos é dito que ela existia por conta das
transgressões. Como sabemos, é da natureza pecaminosa do ser humano tentar
burlar regras (Rm 7.7). A Lei mostrava o pecado, e os homens testavam os
limites do alcance dela pecando contra Deus.
1. A Lei não é contra as promessas de Deus. É estranho
imaginar que Deus tenha feito um pacto com Abraão e, quatrocentos anos depois,
tenha mudado as regras, fazendo uma Lei para os descendentes de Abraão e
mudando os termos antes acertados. Em sua fidelidade, o Eterno mantém o que foi
ajustado com Abraão ao longo dos séculos.
Paulo pergunta: “Logo, a Lei é contra as promessas de Deus?
De nenhuma sorte; porque, se dada fosse uma Lei que pudesse vivificar, a
justiça, na verdade, teria sido pela Lei” (Gl 3.21). O que os judaizantes não
compreendiam é que a Lei e a promessa de Deus não eram opostas. Deus não criou
a Lei para se opor à promessa que havia feito a Abraão, mas para conduzir os
hebreus à fé em Cristo. Ela era um aio, como veremos.
2. Tudo está debaixo do pecado. Antes de falar sobre a Lei
como um tutor, Paulo fala que “a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado,
para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes” (Gl 3.22).
A salvação é uma dádiva, não uma dívida que tenha de ser paga pelo esforço
humano. Aqui entra o fator graça de Deus. Com todos colocados no mesmo padrão,
ou seja, debaixo do pecado, há uma “padronização”, ou seja, ninguém é melhor ou
superior a ninguém quando se trata de receber a salvação. Ou é pela fé ou não é
por caminho nenhum.
3. A lei como “aio”. A Lei agia como um tutor. Ela ensinava,
conduzia no caminho, mas também tolhia a liberdade. Como um batedor militar,
que conduz uma autoridade até o seu destino, o aio assim agia. Ele direciona o
comboio, faz a proteção, mas não os deixa em liberdade até que tenham chegado
ao destino esperado. A Lei de Moisés deve guiar os seus seguidores até Cristo.
Da mesma forma que um aio deveria conduzir uma criança até o destino proposto,
assim a Lei deveria fazer.
A Lei de Moisés não é adversária da graça de Deus. Na
prática, a Lei conduz os hebreus até a graça de Deus, pois as ordenanças
mosaicas apontam para uma impossibilidade de se agradar a Deus pelas obras:
“Porque a lei foi dada por Moisés: a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”
(Jo 1.17). A Lei nos prende ao pecado mostrando o que é o pecado. A liberdade
dessa prisão só pode vir por Cristo.
III. OS VERDADEIROS FILHOS DE DEUS
1. Somos filhos de Deus pela fé. O que faz com que sejamos
feitos filhos de Deus não é a observância da Lei. Não somos filhos de Deus
pelas coisas que fazemos, e sim pela fé em Jesus. É possível que resquícios da
mensagem dos judaizantes estejam sendo ensinados em nossos dias, quando se
exige que uma pessoa cumpra uma série de preceitos para que possa ser abençoada
ou salva.
2. Não há judeu nem grego. Na graça de Deus, todos somos
iguais para a salvação: pecadores. Sem fé, um hebreu não terá a salvação, e
pela fé, um gentio verá a Deus. Por isso Paulo diz que “nisto não há judeu nem
grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um
em Cristo Jesus” (Gl 3.28).
3. Somos descendentes de Abraão (Gl 3.29). Paulo não diz que
somos herdeiros de Abraão por força da Lei de Moisés, mas sim por causa da
promessa de Deus. Os judeus ainda são descendência física de Abraão, mas todos
os que creem em Jesus, pela fé, são igualmente filhos de Abraão.
Nós fomos feitos filhos de Deus por adoção, mas nem por isso
somos menos filhos de Deus. A adoção traz para nós as prerrogativas de uma
herança que nos está destinada pela fé.
CONCLUSÃO
A salvação é um presente de Deus, uma herança, que nos é
dada por intermédio da fé, que nos justifica e nos faz filhos de Deus por
adoção. Ela não é nem pode ser fruto de troca, como algumas pessoas queiram
sugerir. E a Lei de Deus não se opõe à promessa dEle, pois aceita o homem pela
fé, e esse é o padrão que Ele estabeleceu para que os homens se aproximassem
dEle. Somos filhos de Deus e descendência do patriarca Abraão pela fé.

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