“Mas ele, estando cheio do
Espírito Santo e fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus e Jesus, que
estava à direita de Deus.” (At 7.55).
INTRODUÇÃO
Na lição de hoje vamos conhecer
um pouco mais sobre a vida de Estêvão, um dos sete escolhidos para a diaconia
(At 6.1-7). Quando lemos esse texto do Livro de Atos, logo percebemos que
estamos diante de uma pessoa extraordinária — de grande fé, cheio do Espírito
Santo e de sabedoria. Um autêntico cristão destemido! Estêvão é um modelo para
todo cristão e, sem dúvida, serve de modelo para a Igreja do Senhor. Observamos
que a perseguição a Estêvão e seu consequente martírio marcam um momento
decisivo na história da igreja cristã — quando a igreja sai para fora dos muros
de Jerusalém para alcançar o mundo. Estava tendo, portanto, cumprimento das
palavras de Jesus de que a Igreja seria testemunha tanto em Jerusalém, Judeia,
Samaria e até os confins da terra. Atos 8.1 marca o início daquilo que foi
anunciado em Atos 1.8.
I. ESTÊVÃO E A IGREJA QUE TEM SUA
FÉ CONTESTADA
1. Aprendendo com Estêvão. Com
Estêvão, em Atos 6 e 7, aprendemos que a fé cristã sempre será questionada. Ele
enfrentou oposição, e todo cristão também enfrentará. A fé será colocada à
prova, sem espaço para indecisão. Além disso, Estêvão nos ensina que todo
cristão deve saber defender sua fé. Explicar e sustentar as crenças cristãs é
uma responsabilidade da Igreja, e cada crente precisa entender no que acredita
e como responder a desafios. No entanto, em um mundo que muitas vezes se opõe
ao Cristianismo, não basta apenas defender a fé — é preciso estar preparado até
mesmo para enfrentar perseguições. Estêvão é um exemplo de coragem, mostrando
que tanto o cristão quanto a Igreja devem estar dispostos a permanecer firmes,
mesmo que isso signifique perder a liberdade ou até a própria vida.
2. A fé sob ataque. Lucas nos
conta que, em um momento do ministério de Estêvão, um grupo de judeus que vivia
fora de Israel, chamado de judeus helenistas, se levantou contra ele. Esses
judeus faziam parte da Diáspora, ou seja, eram pessoas que tinham se espalhado
por outras regiões, fora do território de Israel. Eles não concordaram com o
que Estêvão estava ensinando e começaram a se opor ao seu trabalho (At 6.9).
Esse levante aconteceu logo após Estêvão fazer “prodígios e grandes sinais
entre o povo” (At 6.8). É interessante observar que o verbo grego usado aqui,
anistemi, com o sentido de “levantar” é o mesmo verbo usado por Marcos quando
disse que houve testemunhas falsas que se levantaram para acusar Jesus (Mc
14.57). Anteriormente, Cristo já fora atacado no seu ministério terreno, agora
o ciclo se repetia com seus seguidores. A fé cristã sempre será alvo e objeto
de ataque. Se a igreja é verdadeiramente cristã, sempre haverá em algum lugar
um levante. Neste episódio, o levante fora motivado por conta da inveja que os
religiosos sentiram ao verem suas sinagogas esvaziadas por motivo das pessoas
se renderem a um Evangelho de poder. Uma igreja bíblica sempre estará sob
ataque e terá sua fé contestada.
3. A disputa com Estêvão. Uma
outra palavra usada nesse texto merece nossa atenção. É o vocábulo “suzéteó”,
traduzido aqui como “disputavam”: “E disputavam com Estêvão” (At 6.9). Os
léxicos, ou dicionários de grego-português, observam que este termo era frequentemente
usado no contexto de discussões religiosas ou filosóficas, onde diferentes
pontos de vistas estavam sendo examinados ou desafiados. Era uma forma de
debater ideias e impor aos outros sua forma de enxergar as coisas. Em outras
palavras, os judeus helenistas não estavam simplesmente “discutindo” com
Estêvão, isto é, batendo boca, mas procurando, a todo custo, sobrepor sua
cosmovisão através de uma narrativa bem construída.
4. A falsa narrativa. A Igreja
sempre teve de lidar e combater as falsas narrativas. Nos dias de Jesus, Ele
foi acusado de enganar o povo (Jo 7.12); quando Ele ressuscitou, criaram a
narrativa de que seu corpo havia sido roubado pelos discípulos (Mt 28.13). O
apóstolo Paulo foi acusado de pregar contra os decretos de César (At 17.7) e
pelo fato de pregar a respeito de Jesus e da ressurreição, o acusaram de pregar
“deuses estranhos” (At 17.18). Hoje não é diferente. A igreja luta em várias
frentes com falsas narrativas que a todo custo querem minar o seu testemunho e
desacreditá-la. Você pode reconhecer algumas dessas narrativas?
II. ESTÊVÃO E A IGREJA QUE
DEFENDE SUA FÉ
1. Deus na história do seu povo.
Estêvão é conhecido como o primeiro defensor da fé cristã e o primeiro mártir
da Igreja. Ele faz uma defesa apaixonada da fé, usando a própria história do
povo de Israel como base. No capítulo 7 do livro de Atos, encontramos seu
discurso completo, no qual, guiado pelo Espírito Santo, ele não apenas mostra
como Deus sempre agiu na história do seu povo, mas também revela o propósito
principal dessa história: provar que Jesus é o Cristo. Durante sua fala,
Estêvão menciona grandes nomes como Abraão, José e Moisés, destacando que todos
eles viveram na esperança da vinda do Messias, que mesmo sendo tão esperado,
acabou rejeitado. A defesa de Estêvão nos ensina que toda explicação e defesa
da fé cristã — a chamada apologética — deve sempre ter um objetivo central:
apontar para Jesus Cristo.
2. Corações endurecidos.
Concluindo sua defesa da fé, Estêvão disse: “Homens de dura cerviz e
incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo;
assim, vós sois como vossos pais” (At 7.51). Mesmo diante dos fatos
apresentados por Estêvão em uma defesa suficientemente convincente, seus
adversários preferiram ignorar. Na verdade, ninguém convence quem não quer ser
convencido. Deus não força ninguém a crer, nem tampouco o condena sem lhe dar,
antes, oportunidade. O texto mostra que o Espírito Santo não tem espaço em
corações endurecidos.
III. ESTÊVÃO E O MARTÍRIO DA
IGREJA
1. Contemplando a vitória da
cruz. Diante de um grupo enfurecido (At 7.54), Estêvão contemplou a glória de
Deus: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão
direita de Deus” (At 7.56). Uma igreja que contempla o Cristo glorificado não
nega a sua fé, pois ela contempla a vitória da cruz. Assim como Estêvão, o
apóstolo Paulo demonstrou estar pronto, não somente para sofrer pelo nome de
Jesus, mas morrer por Ele (At 21.13). Uma igreja que mantém seus olhos no
Cristo glorificado não tem nada a temer.
2. Perdoando o agressor. A última
declaração de Estêvão antes de sua morte é marcante e cheia de significado: “E,
pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este
pecado. E, tendo dito isto, adormeceu” (At 7.60). Aqui vemos um cristão que não
teme a morte porque contempla a coroa da vida (Ap 2.10). Temos aqui a figura de
uma igreja que, literalmente, se dá pelo perdido, que se sacrifica por ele.
Esse deve ser o modelo a seguir.
CONCLUSÃO
Estêvão, um dos sete escolhidos
para o trabalho social da primeira igreja, representa o modelo de uma igreja
verdadeiramente bíblica. Qualificado, cheio de fé e do Espírito Santo, não teme
se posicionar diante de um mundo e de uma cultura contrários. Não teme o
sofrimento e nem mesmo a morte na defesa daquilo que acredita e prega. É o
modelo de uma igreja, que em vez de ficar no seu conforto, vai até as últimas
consequências, arriscando-se pelo seu Senhor.

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