terça-feira, 25 de março de 2025
LIÇAO 13 - PERSEVERANDO NA FÉ EM CRISTO
quarta-feira, 5 de março de 2025
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
LIÇÃO 9 - QUEM É O ESPIRITO SANTO ?
INTRODUÇÃO
A identidade do Espírito Santo é revelada nas Escrituras desde o livro de Gênesis até o Apocalipse. É fato que a Igreja desde os dias apostólicos o reconhecia como Deus igual ao Pai e ao Filho. Essa deidade absoluta do Espírito Santo é revelada de maneira direta, nos seus atributos divinos e nas suas obras e funções pertencentes a Deus. Todos nós precisamos estudar e conhecer essa verdade bíblica, pois desde a antiguidade existem heresias sobre a Terceira Pessoa da Trindade. É sobre isso que vamos estudar na presente lição.
1. O outro Consolador (14.16).
Jesus disse aos seus discípulos que estava voltando para o Pai, mas que continuaria cuidando da Igreja, pelo seu Espírito Santo, seu Paracleto, alguém como Ele, que teria o mesmo poder para preservar o seu povo.
A palavra “outro”, nesta passagem é, no grego, allos, e significa “outro”, da mesma natureza, mesma espécie e mesma qualidade. Se o Espírito fosse uma força ativa, impessoal, conforme o ensino equivocado das Testemunhas de Jeová, a palavra correta para “outro” seria heteros, que significa: “outro do usual, diferente”. O Dicionário Vine afirma: “O termo allos expressa uma diferença numérica e denota ‘outro do mesmo tipo’; o termo heteros expressa uma diferença qualitativa e denota ‘outro de tipo diferente’. Cristo prometeu enviar ‘outro Consolador’ — allos, ‘outro como Ele’, não heteros (Jo 14.16)”.
2. O Paracleto (16.7).
O termo se refere ao Espírito Santo, mas os dicionários da língua portuguesa afirmam que se trata de uma pessoa que defende e protege alguém. O termo grego paraklētos vem da preposição pará, “ao lado de, próximo”, e do verbo kaléō, “chamar, convocar”, de modo que essa palavra significa “defensor, advogado, intercessor, auxiliador, ajudador. Paracleto, então, é o Consolador. O Consolador é enviado pelo Pai em nome de Jesus para ensinar os discípulos e fazer lembrar de tudo o que o Filho ensinou e para testificar dEle (Jo 15.26).
3. Seu uso no Novo Testamento.
O termo “paracleto” aparece apenas cinco vezes no Novo Testamento, nos escritos joaninos, quatro vezes no Evangelho, referindo-se ao Espírito Santo (Jo 14.16, 26; 15.26; 16.7). Além dEle o nome é aplicado ao Senhor Jesus e traduzido por “Advogado” (1 Jo 2.1).
II – SUA DEIDADE, ATRIBUTOS E OBRAS
1. Sua deidade.
A divindade do Espírito Santo é revelada na Bíblia de maneira que os nomes Deus e Espírito Santo aparecem sempre de forma alternada, tanto no Antigo Testamento como no Novo. O Espírito Santo é Javé na vida de Sansão: “o Espírito do Senhor possantemente se apossou dele” (Jz 15.14); no entanto, na sequência, lemos que depois de traído por Dalila, Sansão “(...) não sabia que já o Senhor se tinha retirado dele” (Jz 16.20). Assim, tanto o Espírito de Javé e Javé, ou seja, o Espírito do Senhor e o Senhor são nomes divinos usados alternadamente. Fica claro, no Antigo Testamento, que o Espírito Santo é o próprio Deus. Esse tipo de linguagem na Bíblia mostra que Ele é Javé. Compare Êxodo 17.7 com Hebreus 3.7-9; Deus de Israel (2 Sm 23.2,3). Essa forma de apresentação é frequente na Bíblia (At 5.3, 4; 1 Co 3.16; 2 Co 3.16-18).
“Jesus disse que o Consolador é o próprio Espírito Santo. A promessa do Senhor Jesus é ‘para que fique convosco para sempre’ (Jo. 14.16).”
2. Seus atributos.
A divindade do Espírito Santo é revelada na Bíblia também nos seus atributos divinos, como acontece com o Senhor Jesus Cristo. Ele é onipotente (Rm 15.19), e as Escrituras Sagradas ensinam ser o Espírito a fonte de poder e milagres (Mt 12.28; At 2.4; 1 Co 12.9-11). A onipresença é outro atributo incomunicável de Deus presente na Terceira Pessoa da Trindade, o que mostra ser Ele onipresente (Sl 139.7-10). Ele conhece todas as coisas, até as profundezas de Deus (1 Co 2.10,11); conhece o coração dos seres humanos (Ez 11.5; At 5.3-9; Rm 8.26,27) e é conhecedor do futuro (Lc 2.26; Jo 16.13; At 20.23), isso por ser Ele onisciente. Possui o atributo da eternidade, pois é chamado de “Espírito eterno” (Hb 9.14).
3. Suas obras.
São inúmeras as obras de Deus efetuadas pelo Espírito Santo. Ele gerou Jesus Cristo (Lc 1.35), dá a vida eterna (Gl 6.8), guia o seu povo (Sl 143.10; Is 63.14; Rm 8.14; Gl. 5.18), é o Senhor da Igreja (At 20.28) e santificador dos fiéis (Rm 15.16; 1 Pe 1.2). O Espírito habita nos crentes (Jo 14.17; Rm 8.11; 1 Co 3.16), é o autor do Novo Nascimento (Jo 3.5,6; Tt 3.5), da vida (Ez 37.14; Rm 8.11-13) e o distribuidor dos dons espirituais (1 Co 12.7-11). Essas obras são exclusivas de Deus, realizadas pelo Pai, Filho e o Espírito Santo. Essas obras divinas evidenciam que o Espírito Santo é Deus igual ao Pai.
III – HERESIAS ANTIGAS E NOVAS
1. As primeiras heresias.
Não havia consenso sobre o Espírito Santo no Oriente nas primeiras décadas depois do Concílio de Niceia. Havia diversas interpretações.
a) Os arianistas.
Ário considerava também o Espírito Santo como criatura, embora esse tema tivesse fora das discussões na época, pois o foco dos debates estava no Filho. Eunômio, um dos arianistas mais radicais, considerava o Espírito Santo como a mais nobre das criaturas produzidas pelo Filho a pedido do Pai, dizia que “o Filho é o criador do Espírito”.
b) Tropicianos.
Eram uma seita do Egito, cujo nome vem de tropos, “figura”. Atanásio assim o denominou por causa da exegese figurada deles, diziam ser o Espírito Santo um anjo e uma criatura.
c) Pneumatomacianos.
Surgiram depois dos tropicianos. O termo pneumatomachoi vem de pneuma, “espírito”, e machomai, “falar mal, contra”, eram os “opositores do Espírito”. Eustáquio de Sebaste (300-380) foi o principal defensor dessa heresia, o movimento negava a divindade do Espírito Santo.
2. As heresias na atualidade.
O grupo religioso das Testemunhas de Jeová é seguidor da antiga linha teológica dos arianistas. Seus líderes negam a divindade e a personalidade do Espírito Santo; em sua literatura, grafam seu nome com letras minúsculas. Por exemplo, a Tradução do Novo Mundo (TNM) substitui o “Espírito de Deus” por “força ativa de Deus” (Gn 1.2) e usa a expressão: “e todos ficaram cheios de espírito santo” (At 2.4). A expressão hebraica rûach ’ĕlōhîm, “Espírito de Deus”, aparece 11 vezes no Antigo Testamento e somente nessa passagem é traduzida na TNM por “força ativa de Deus”.
3. O Espírito Santo em outras religiões.
Em algumas religiões no Oriente, a noção sobre o Espírito Santo é confusa, mas se aproxima do pensamento antigo desses heresiarcas, “de modo que nada há novo debaixo do sol” (Ec 1.9).
a) Uma crença estranha. Os intelectuais da religião islâmica, por exemplo, se apegam às palavras do Alcorão atribuídas a Jesus: “sou para vós o Mensageiro de Allah, para confirmar a Tora, que havia antes de mim, e anunciar um Mensageiro, que virá depois de mim, cujo nome é Ahmad” (61.6). Eles interpretam essa passagem corânica como cumprimento da promessa que Jesus fez sobre a vinda do Consolador, do Paracleto. Eles confundem a palavra grega periclytós, “renomado ao redor, ilustre”, com paraklētos (Jo 14.16, 26; 15.26; 16.7). Assim, concluem equivocamente que Maomé é o Consolador prometido por Jesus. Convém lembrar que periklytós não é uma palavra bíblica, não aparece em lugar algum da Bíblia Sagrada, nem no Novo Testamento grego e nem na Septuaginta.
b) Resposta bíblica. Jesus disse que o Consolador é o próprio Espírito Santo (Jo 14.26). A promessa do Senhor Jesus é “para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). Trata-se de um ser que não morre, mas sim que vive para sempre, pelos séculos dos séculos. Jesus disse também que o Consolador “habita convosco e estará em vós” (Jo 14.17) e que, “quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai, testificará de mim” (Jo 15.26). Assim, o Espírito Santo testifica de Cristo, o nosso Senhor.
CONCLUSÃO
Vimos que a deidade e a personalidade do Espírito Santo estão presentes em toda a Bíblia de maneira abundante e tem sido crença da Igreja desde o princípio, por isso a relevância da defesa dessa doutrina. O Consolador é enviado pelo Pai, em nome de Jesus, para ensinar os discípulos e fazer lembrar de tudo o que o Filho ensinou e para testificar dEle. Não é possível uma força ativa e impessoal ser enviada em nome de alguém tendo tais atributos.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025
quinta-feira, 30 de janeiro de 2025
quinta-feira, 23 de janeiro de 2025
terça-feira, 14 de janeiro de 2025
INTRODUÇÃO
Vamos começar a apologética cristológica no
presente trimestre com o tema “A Encarnação de Jesus”, uma doutrina sobre a
humanidade de Cristo. O mesmo apóstolo João que se empenha em mostrar a deidade
absoluta de Jesus se preocupa também em enfatizar que Jesus viveu entre nós,
participou da natureza humana e teve corpo físico humano. A presente lição é
uma apologia à sua humanidade plena.
I. HERESIAS QUE NEGAM A
CORPOREIDADE DE CRISTO
1. O que é Docetismo? O termo vem do grego dokeo, que significa “ter aparência”.
O Docetismo é a mais antiga heresia da história da igreja e consiste em negar
que Jesus tivesse tido corpo físico humano, sua humanidade era simplesmente uma
aparência, como um fantasma.
2. O que os docetas ensinavam
sobre Jesus? Os seguidores dessa heresia ensinavam muitas coisas fora das
Escrituras e contrárias à Palavra de Deus. O nosso enfoque destaca a humanidade
de Jesus, como o verdadeiro homem. Lucas descreve um começo muito humano. Jesus
teve parentes e amigos, Zacarias e Isabel (Lc 1.5), José e Maria (Lc 2.4,5),
vizinhos e primos (Lc 1.36,58), pastores (Lc 2.8), Simeão, Ana (Lc 2.25,37).
Isso sem contar o relato sagrado de sua infância, que enfoca o seu
desenvolvimento físico, intelectual e espiritual (Lc 2.40,52).
3. O que os principais docetas
diziam sobre Jesus? Três dos principais heresiarcas negavam que Jesus Cristo tivesse
vindo em carne. Cerinto negava o nascimento virginal de Jesus Cristo e ensinava
o Docetismo. Ele foi contemporâneo do apóstolo João em Éfeso. Saturnino, o
principal representante do Gnosticismo sírio, ensinava que Jesus Cristo não
nasceu, não teve forma e nem corpo, foi simplesmente visto de forma humana em
mera aparência. Marcião é outro heresiarca que negava ser Cristo
verdadeiramente humano, mas quanto ao seu corpo, não se sabe se na opinião dele
era apenas uma aparência ou de substância etérea. No entanto, a Bíblia declara
de maneira direta que Jesus nasceu, mencionando até mesmo local, em Belém da
Judeia (Mt 2.1; Lc 2.11), e época, no reinado de César Augusto, imperador
romano (Lc 2.1). A Bíblia fala também do corpo físico de Jesus (Jo 2.21).
II. A AFIRMAÇÃO
APOSTÓLICA DA CORPOREIDADE DE JESUS
1. “O que era desde o
princípio” (Jo 1.1). Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas,
denominados de Evangelhos Sinóticos, apresentam Jesus, ressaltando seus
aspectos humanos, ao passo que João reforça o aspecto divino. Os três
Evangelhos expõem Jesus exteriormente, ao passo que João o revela
interiormente. Pode-se dizer que o Evangelho de João é uma interpretação de
Jesus. A expressão “O que era desde o princípio” é uma reiteração daquilo que o
apóstolo afirma na introdução do Evangelho que leva o seu nome: “No princípio
era o Verbo” (Jo 1.1), isso significa que o Verbo já existia mesmo antes da
criação (Gn 1.1). Mas João nunca perde de vista que “o Verbo se fez carne”. Não
se contenta apenas com isso, mas apresenta detalhes importantes, é que o Verbo
não somente se fez carne, para não deixar dúvida alguma, “e habitou entre nós”,
mas também foi visto pelas pessoas (Jo 1.14).
2. A reafirmação
apostólica (v.1b). O apóstolo reitera o que afirma na introdução do
seu Evangelho: “O que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as
nossas mãos tocaram da Palavra da vida”. Isso pode parecer até uma redundância,
“vimos com os nossos olhos”, mas o propósito é mostrar com muita ênfase, sem
deixar dúvida alguma, que o Senhor Jesus veio em carne ao mundo, e que pôde ser
tocado pelos que com Ele conviveram (Jo 20.27). Veja que a presença do nome de
Pilatos no Credo dos Apóstolos o posiciona nos acontecimentos passados. Ele
“sofreu sob Pôncio Pilatos”, ou seja, padeceu nas mãos de um personagem da
história, logo, o Senhor Jesus só pode também ser alguém da história (Rm 1.3).
3. Uma crença
herética (1Jo 4.2,3). João viveu seus últimos dias na cidade de Éfeso,
que era a cidade de Cerinto, o doceta. Os escritos do apóstolo João, o
Evangelho, as três Epístolas e o Livro de Apocalipse, foram produzidos na
última década do primeiro século. Nessa época, o docetismo já se difundia entre
os cristãos. Por isso, o apóstolo esclarece, e de maneira direta, que todo
aquele que nega que Jesus veio em carne não é de Deus (1Jo 4.3). Veja a
gravidade dessa heresia, pois se Jesus não teve corpo físico real, Ele também
não morreu, e se não morreu, também não ressuscitou, se não ressuscitou, logo
não há esperança de salvação (1Co 15.1-3,17,18). Por essa razão, o apóstolo
João foi contundente contra os docetas. Os expoentes de tal crença são chamados
de “enganadores” (2Jo 7).
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A UNIÃO HIPOSTÁTICA
“A união hipostática descreve a
união entre as naturezas humana e divina na Pessoa única de Jesus. Entender
adequadamente esta doutrina depende da completa compreensão de cada uma das
naturezas e de como se constituem na única Pessoa. O ensino bíblico acerca da
humanidade de Jesus revela-nos que, na encarnação, Ele tornou-se plenamente
humano em todas as áreas da vida, menos na prática de um eventual pecado.
Uma das maneiras de nos
convencermos da completa humanidade de Jesus é esta: os mesmos termos que
descrevem aspectos diferentes da humanidade também descrevem o próprio Jesus.
Por exemplo, o Novo Testamento frequentemente usa a palavra grega pneuma (espírito) para descrever
o espírito do homem; e a mesma palavra é empregada para Jesus. Ele mesmo
aplicou a si o pneuma, quando, na cruz, entregou o
seu espírito ao Pai e expirou (Lc 23.46).” (HORTON, Stanley M. Teologia
Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
1995, pp.324,325).
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III. COMO ESSAS HERESIAS SE
REVELAM HOJE
1. Quanto ao nascimento virginal
de Jesus. Há movimentos que negam o nascimento virginal de Jesus, como os
mórmons, a Igreja da Unificação, e ensinam que Ele não foi gerado pelo Espírito
Santo. Negar a concepção e o nascimento virginal de Jesus é uma das marcas
desses movimentos. É o ensino moderno de Cerinto e seus seguidores. A Bíblia
anuncia de antemão a concepção e nascimento virginal de Jesus desde o Antigo
Testamento (Is 7.14) e seu cumprimento histórico no Novo Testamento. Jesus foi
gerado pelo Espírito Santo (Mt 1.18,20); o anjo Gabriel disse a Maria: “Descerá
sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua
sombra” (Lc 1.35).
2. Quanto à morte e à
ressurreição de Cristo. O heresiarca gnóstico do Egito, Basilides, negava a crucificação
de Cristo, dizia que Simão, o cirineu, transfigurou-se e foi equivocadamente
crucificado, e que o populacho o tomou por Jesus. Assim sendo, Cristo apenas
presenciou a crucificação de Simão, seu suposto sósia. O Alcorão, o livro
sagrado dos muçulmanos e sua principal fonte de autoridade espiritual, declara
que o Senhor Jesus não foi crucificado, que tudo não passou de uma simulação
(Alcorão 4.157). Nas notas explicativas de rodapé nas edições do Alcorão, eles
afirmam que um sósia de Jesus foi levado à cruz. Isso se parece com a ideia de
Basilides. Essa doutrina contraria todo o pensamento bíblico e os fatos
históricos. A Bíblia ensina que Jesus morreu e ressuscitou dentre os mortos
(1Co 15.3,4).
3. Confirmação histórica. A confirmação bíblica e
histórica da morte de Jesus é fato incontestável. Historiadores não cristãos,
judeus e romanos, atestaram a morte de Jesus. Flávio Josefo, historiador judeu
(37& #8212; 100 d.C.), disse: “acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou
que o crucificassem. Os que o haviam amado durante a sua vida não o abandonaram
depois da morte”. O historiador romano Tácito (55 — 117 d.C.) escreveu: “Aquele
de quem levavam o nome, Cristo, foi executado no reinado de Tibério pelo
procurador Pôncio Pilatos”. A Bíblia declara que Jesus “depois de ter padecido,
se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas” (At 1.3).
A TEOLOGIA LIBERAL E A BÍBLIA
“Em palavras simples, a doutrina
cristã ortodoxa da Bíblia postula que ela é sobrenaturalmente inspirada por
Deus e infalível e normativa em todas as questões que dizem respeito à salvação
— de modo geral, definida como o relacionamento de uma pessoa com Deus e o seu
cumprimento a nível pessoal. Ela é singular dentre os livros por ser a Palavra
escrita de Deus, diferente em espécie, não somente em grau, de outros livros
importantes. Essa crença no status especial da Bíblia é encontrada na própria
Bíblia (e.g., 2Tm 3.16, 17; 2Pe 1.20,21) e ao longo da História da Igreja,
desde os Pais Eclesiásticos até o pensamento ocidental da era moderna, quando
os deístas, por exemplo, começaram a questionar a inspiração e a autoridade da
Bíblia. Comparado ao consenso cristão ortodoxo de que a Bíblia é a revelação
que nos foi sobrenaturalmente dada por Deus, o Cristianismo liberal trata a
Bíblia como um livro humano de grande percepção e sabedoria espiritual, mas que
não é divinamente inspirado, nem singularmente normativo. [...] Os cristãos
liberais são, no entanto, extremamente relutantes em falar sobre a autoridade
da Bíblia, e isso os deixa sem uma fonte ou norma objetiva para as crenças e as
doutrinas cristãs.” (OLSON, Roger. Contra a Teologia Liberal: Uma
defesa cristã bíblica tradicional. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, pp.54,55).
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CONCLUSÃO
As expressões “o Verbo se fez
carne” e “Jesus Cristo veio em carne” significam uma resposta aos docetas. Os
Evangelhos revelam vários atributos característicos do Jesus ser humano. Ele
foi revestido do corpo físico porque o pecado entrou no mundo por um homem, e
pela justiça de Deus tinha de ser vencido por um ser humano. Jesus se encarnou.
Fez-se homem sujeito ao pecado, embora nunca houvesse pecado, e venceu o pecado
como homem.
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025
SOMOS CRISTÃOS - LIÇAO 2
I. PREVENINDO-SE CONTRA A TENDÊNCIA JUDAIZANTE
1. Subindo outra vez a Jerusalém (Gl 2.1,2). Catorze anos
depois da sua conversão a Cristo, Paulo sobe pela segunda a vez a Jerusalém.
Essa segunda visita foi por revelação (v.2; At 11.27-30), não sendo uma
convocação pelos apóstolos para prestação de contas. Não podemos confundir essa
visita de Paulo com a sua ida ao Concílio de Jerusalém, registrado em Atos 15.
Infere-se que a Epístola aos Gálatas foi escrita antes do referido Concílio,
pois não há menção dele na carta, visto que o Concílio tratou do mesmo assunto
(At 15.5,6). Somando os anos mencionados em Gálatas, podemos afirmar que essa
visita aconteceu antes de sua Primeira Viagem Missionária.
2. Objetivo da reunião. É bom lembrar que essa reunião não
foi um concílio nem um sínodo. É possível que essa segunda visita, por meio de
revelação (v.2), tenha ligação com Ágabo, pois a missão de Paulo, pelo que
parece, foi levar donativos para os irmãos pobres da Judeia (At 11.27-30).
Aproveitando a ocasião, o apóstolo expôs o Evangelho que vinha pregando aos
gentios há catorze anos (vv.1,2). Ele tinha convicção de que recebeu esse
Evangelho de Deus e estava consciente de que a sua subida a Jerusalém era em
obediência a uma ordem divina.
3. Tito e a circuncisão (v.5). Barnabé era judeu (At 4.36) e
seu nome aparece três vezes nesse capítulo (vv.1,9,13); sua presença na reunião
em Jerusalém não seria um problema. Tito, no entanto, sendo grego, foi um risco
que Paulo correu, mas não foi uma provocação introduzir um incircunciso no seio
dos judeus. Os judaizantes queriam que Tito fosse circuncidado. Encontramos no
Novo Testamento a compreensão e a tolerância de Paulo com os fracos na fé, a
ponto de circuncidar Timóteo, mas ele era judeu, pois sua mãe era judia (At
16.3); no entanto, nessa reunião em Jerusalém, onde expôs o Evangelho que
pregava aos gentios, ele não cedeu nem um pouco, “nem por uma hora” (v.5). Isso
por duas razões: Tito era grego, e porque estava em jogo a verdade do Evangelho
e o futuro do próprio Cristianismo.
OUTRO EVANGELHO
“Em grego allos significa outro do mesmo tipo. Heteros
significa outro de um tipo diferente. O evangelho que estes judaizantes tinham
apresentado aos gálatas era um evangelho heteros: um evangelho essencialmente
diferente do evangelho de Deus. Paulo disse que este evangelho: ‘Não há outro’.
Por quê? Porque o evangelho é ‘Boa-Nova’. Qualquer mensagem que nos diga ‘se
esforce mais’, mesmo se recebemos um livro de regras, não é absolutamente uma
boa-nova. Não importa o quanto você e eu possamos tentar, jamais seremos bons o
bastante para escaparmos das cadeias do ‘presente século mau’. Somente a graça
de Deus, entrando na história, na pessoa de Jesus Cristo, e fazendo por nós o
que jamais poderíamos fazer sozinhos, é verdadeiramente o evangelho,
‘Boas-Novas’.” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de
Janeiro: CPAD, 2012, p.843).
II. A TENDÊNCIA JUDAIZANTE NO INÍCIO DA IGREJA
1. O espanto do apóstolo. Tão logo Paulo retornou de sua
viagem, ficou sabendo que os irmãos da Galácia estavam vivendo outro evangelho,
e isso deixou o apóstolo estarrecido e atônito pela rapidez do desvio deles (Gl
1.6). O verbo grego metatithesthe, “deixar, abandonar, desertar, mudar de
pensamento, virar a casaca”, que o apóstolo emprega nessa passagem, era usado
na antiguidade quando alguém desertava do exército ou se rebelava contra ele.
Isso significa também mudança de partido político, filosofia e religião. Em
outras palavras, aqueles irmãos gálatas estavam abandonando a fé.
2. Quem eram os judaizantes (v.4)? O termo judaizante vem do
verbo grego ioudaizō, “viver como judeu, adotar costumes e ritos judaicos”, e
aparece uma única vez no Novo Testamento (Gl 2.14). Eles eram os opositores de
Paulo identificados também como “falsos irmãos” (v.4). São reconhecidos no
capítulo anterior (Gl 1.7) como os que se apresentavam como enviados por
Jerusalém, a igreja-mãe. Na verdade, esses homens saíram de Jerusalém por sua
própria conta. Tiago negou formalmente as declarações deles, dizendo que não os
havia enviado (At 15.24). Eram legalistas dentre os judeus, e por isso chamados
de judaizantes. Esses judeus, convertidos ao Senhor Jesus, ensinavam que os
gentios deveriam observar a Lei de Moisés como condição para salvação (At
15.1).
3. O clima de tensão (vv.3-5). Não é necessário muito
esforço para perceber o quanto Paulo e Barnabé foram pressionados pelos
judaizantes diante dos demais apóstolos de Jerusalém. À luz do versículo 9,
parece que somente João, Pedro e Tiago estavam presentes. Os outros apóstolos
deviam estar em plena atividade missionária em outras regiões. Os judaizantes
chamados de “falsos irmãos” conseguiram “furar o bloqueio” e entraram sem serem
convidados à reunião (v.4). Eram inimigos da liberdade cristã, do Evangelho, de
Paulo e do próprio Cristianismo. O pior de tudo é que essas pessoas estavam
infiltradas na igreja, e conseguiam até entrar em reuniões apostólicas.
SEJA ANÁTEMA
“A palavra ‘anátema’ (gr. anathema) significa que a pessoa
caiu sob a maldição de Deus, está condenada à destruição e receberá o juízo de
Deus, a punição eterna e a separação permanente de Deus:
1. Paulo expressa a atitude inspirada pelo Espírito Santo de
ira justificada e juízo para aqueles que tentam distorcer o evangelho original
de Cristo (v.7) e modificam a verdade revelada na Palavra de Deus. Esta mesma
atitude estava evidente em Jesus Cristo (Mt 23.13), Pedro (2Pe 2), João (2Jo
vv.7-11) e Judas (Jd vv.3,4,12-19) e será encontrada no coração de cada
seguidor de Cristo que ama e defende a verdade de Cristo revelada na Palavra de
Deus. Isto se deve ao fato de o povo fiel de Deus estar convencido de que a
mensagem de Cristo é as boas-novas de salvação, indispensáveis para um mundo
que está espiritualmente perdido e separado de Deus devido aos seus caminhos
pecaminosos e rebeldes (veja Rm 1.16; 10.14-15);
2. Entre os que estão condenados se incluem todos os que
pregam um evangelho contrário à mensagem que Paulo pregava, que lhe fora
revelada por Cristo (vv.11,12; veja o v.6, nota). Qualquer pessoa que
acrescente algo ou remova algo da mensagem original e fundamental de Cristo e
dos apóstolos (isto é, aqueles que foram pessoalmente encarregados por Jesus
para estabelecer a sua mensagem na Igreja Primitiva) estará sob a maldição de
Deus: ‘Deus tirará a sua parte da árvore da vida’ (Ap 22.18,19);
3. Deus ordena que todos os seguidores de Jesus defendam a
fé (Jd 3, nota), que tenham uma atitude de amor quando em confronto com outras
pessoas (2Tm 2.26-26) e que se separem de professores, ministros e outras
pessoas na igreja que neguem as verdades fundamentais ensinadas por Jesus e
pelos apóstolos (vv.8,9; Rm 16.17-18; 2Co 6.17; At 14.4).” (Bíblia de Estudo
Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, pp.2153,2154).
III. A TENDÊNCIA JUDAIZANTE HOJE
1. O mesmo Evangelho (vv.7-9). O Evangelho é um só, não há
dois. O Evangelho de Pedro e o de Paulo, também chamado respectivamente de
Evangelho da Circuncisão e da Incircuncisão, são meras formas de apresentação,
pois o conteúdo é o mesmo. Ambos receberam uma incumbência da parte de Deus,
mas com audiências diferentes. O compromisso de Paulo era com os gentios, ele
foi constituído, por Deus, apóstolo e doutor dos gentios (1Tm 2.7; 2Tm 1.11)
para pregar aos não judeus (Rm 11.13); o de Pedro era com os judeus, mas a
mensagem é a mesma.
2. O perigo da doutrina judaizante. Os apóstolos viam em
tudo isso dois problemas sérios: ameaça à liberdade cristã e o perigo de o
Cristianismo se tornar uma mera seita judaica. Os cristãos judaizantes
alteravam o cerne do Evangelho, pois colocavam a Lei como complemento da obra
que Jesus efetuou no Calvário. Era, de fato, “outro evangelho”, por isso o
apóstolo Paulo os amaldiçoou (Gl 1.8,9). Na verdade, quem tem o Espírito Santo
vive pelo Espírito. Então, contra a tendência judaizante é preciso aprender a
viver na dependência do Espírito e não da Lei, lutando contra os vícios da
carne e buscando as virtudes do fruto do Espírito.
3. As práticas judaizantes atuais. Elas são basicamente a
guarda do sábado, a observância rigorosa do kashrut (termo hebraico para as
leis dietéticas do judaísmo), a liturgia da sinagoga, o uso do shofar,
“trompa”, geralmente feito de chifre de carneiro; o uso de talit, o manto ou
xale usado para oração; e, o uso do kippar, o solidéu que os judeus religiosos
usam sobre a cabeça.
a) Os judeus. Os judeus messiânicos, principalmente em
Israel, seguem a tradição judaica. Isso acontece simplesmente para preservar a
identidade cultural deles e tem amparo neotestamentário: “É alguém chamado,
estando circuncidado? Fique circuncidado” (1Co 7.18a). Ou seja, na conversão a
Cristo do judeu, ele não precisa mudar a sua tradição e cultura.
b) Os não judeus. Da mesma forma: “É alguém chamado, estando
incircuncidado? Não se circuncide” (1Co 7.18b). Ou seja, ele não precisa se
judaizar. É erro o não judeu adotar práticas judaicas na liturgia e no dia a
dia para imitar o Judaísmo. Paulo conclui: “Cada um fique na vocação em que foi
chamado” (1Co 7.20).
CONCLUSÃO
O resultado da reunião foi desfavorável aos judaizantes. Só
o fato de os apóstolos, sendo judeus, concordarem com a explicação sobre a
especificidade de cada grupo dada por Paulo, já apontava o engano desses
legalistas sobre a obra salvífica em Cristo. Esse resultado serviu tanto aos
gálatas como a todo o Cristianismo nesses mais de vinte séculos de história.
Assim, a diferença entre os judeus messiânicos e os cristãos judaizantes atuais
é que os judeus estão preservando uma cultura hereditária do seu povo e os
judaizantes colocando “remendo novo em pano velho” (Mt 9.16).
SOMOS CRISTÃOS
Nesta lição, veremos o trabalho dos apóstolos para prevenir
a igreja da tendência judaizante que predominava no primeiro século. Era um
tempo em que os fundamentos apostólicos haviam sido lançados havia pouco tempo
e a compreensão clara do Evangelho estava sendo desenvolvida progressivamente
entre os judeus novos convertidos e os gentios. Nesse cenário, alguns grupos
judaizantes que se autodenominavam enviados da igreja-mãe em Jerusalém causaram
certo desconforto a Paulo, bem como tentavam distorcer a fé dos irmãos gentios
recém-convertidos. Em síntese, eram legalistas que ensinavam que os gentios
deveriam converter-se ao judaísmo, observar a Lei de Moisés e, somente então,
poderiam desfrutar da graça do Evangelho.
Para combater as investidas dos falsos irmãos que tentavam
ensinar um “falso evangelho”, somente ensinando o verdadeiro Evangelho. A
fidelidade de Paulo, assim como dos demais apóstolos ao entendimento do
Evangelho da graça que aponta Cristo como o cumprimento perfeito da Lei, não
deixa espaço para legalismo ou comprometimento da liberdade cristã. Nesse
sentido, a disposição dos apóstolos em rejeitar qualquer tentativa de alterar o
cerne da mensagem do Evangelho era e continua sendo o melhor caminho.
No comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição
Global (CPAD), vemos que “Paulo era gentil, tolerante e paciente com relação a
muitas coisas (cf. 1Co 13.4-7), mas era firme e inflexível com respeito à
‘verdade do evangelho’. A revelação que ele recebera diretamente de Cristo (Gl
1.12) é a única mensagem que possui o poder de salvar todos os que creem nela,
receberam-na e reagem positivamente a ela (Rm 1.16). Paulo entendia que nunca
se devem fazer concessões a este evangelho (isto é, as ‘boas-novas’; veja Mc
14.9) em nome da paz, unidade ou da opinião da moda. Tanto a honra de Jesus
Cristo como a salvação dos que estão espiritualmente perdidos (isto é, que não
receberam o perdão de Deus e um relacionamento pessoal com Cristo) estavam em
jogo. Se negligenciarmos ou abandonarmos qualquer parte do Evangelho, de acordo
com a revelação do Novo Testamento, começaremos a destruir a única mensagem que
nos pode salvar da destruição eterna (cf. Mt 18.6)” (2022, p.2155).
A resposta de Paulo e dos apóstolos é uma referência para
pastores e mestres da igreja hoje. Não podemos em hipótese alguma negociar as
verdades fundamentais da fé que norteiam a conduta cristã. Este é um
compromisso que deve ser mantido com firmeza e coragem frente aos ventos de
doutrina dos dias atuais.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2024
Quando as Heresias Ameaçam a Unidade da Igreja,
“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da comum salvação, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” (Jd 3)
VERDADE PRÁTICA
Heresias são crenças e práticas contrárias ao pensamento bíblico que distorcem os pontos principais da doutrina bíblica.
INTRODUÇÃO
Heresias são crenças e práticas contrárias ao pensamento bíblico, pois elas distorcem os pontos principais da doutrina cristã, confrontam o Cristianismo Histórico e criam um problema para as igrejas e as famílias.
As heresias da atualidade são as mesmas da antiguidade, mas com uma roupagem nova, que foram rejeitadas pelos apóstolos e primeiros cristãos, pois “nada há novo debaixo do sol” (Ec 1.9).
I – AS AMEAÇAS DOS LOBOS VORAZES
1. Os cuidados pastorais (At 20.28)
A função primordial do pastor é alimentar, guiar e proteger o rebanho (Lc 15.4-6).
O Novo Testamento emprega essa metáfora ao tratar o relacionamento entre pastor e rebanho na igreja. A exortação apostólica aos líderes da igreja visa proteger os irmãos e as irmãs das heresias e guiar todos na verdade do Evangelho. Esse cuidado aparece nos ensinos de JESUS (Mt 7.15- 20).
2. “Depois da minha partida” (v.29)
Essa expressão é uma palavra profética, pois o apóstolo não está apenas se referindo à sua morte, mas também ao avanço dos hereges no seio da igreja depois do período apostólico, no futuro.
Paulo usa uma linguagem metafórica para identificar os falsos doutrinadores, “lobos cruéis” ou “lobos vorazes” (v. 29 – Nova Almeida Atualizada – NAA).
O apóstolo Pedro, depois de ensinar que o ESPÍRITO SANTO inspirou os profetas do Antigo Testamento (2 Pe 1.19-21), mostrou que a presença do verdadeiro ensino nem sempre é suficiente para impedir a manifestação do falso.
Tanto que, ao falar a respeito dos profetas legítimos dentre os hebreus, ressaltou que também havia entre o povo falsos profetas, como haveriam de surgir com o tempo, no meio da Igreja, falsos mestres (2 Pe 2.1). Na verdade, eles já estavam presentes no período apostólico (Gl 1.7; Cl 2.8; Jd 4).
3. A origem dos falsos mestres (v.30)
Dois pontos surpreendentes, nessa parte do discurso, nos chamam a atenção; primeiro, os lobos vorazes surgem de dentro da própria igreja “dentre vós mesmos” e, segundo, “se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si”.
Os discípulos deles ainda estão por aí. Entre eles estão os que se posicionam acima das Escrituras, os quais, sem o menor pudor espiritual, usam as redes sociais para “corrigir” a Bíblia e discordar abertamente dos profetas e dos apóstolos bíblicos. Tais pessoas consideram seus discursos modernos e a mensagem da Bíblia, desatualizada, em razão disso oferecem um novo evangelho (2 Co 11.13-15). Em face disso, vemos a importância de estudar um campo da Teologia denominado de Apologética para orientar os crentes dos nossos dias.
SINÓPSE I - Os lobos vorazes surgem de dentro do povo de DEUS. Por isso, a Apologética é tão necessária.
Auxílio Teológico - UM TESTEMUNHO COERENTE
“O segredo da coragem e sucesso em enfrentar oposição é santificar a CRISTO, como Senhor, no coração (1 Pe 3.15).
Isso significa entronizar CRISTO no coração como o Senhor supremo, que apesar de inocente sofreu pelos culpados e tem a preeminência em todas as coisas (Cl 1.18); reconhecê-lo como santo; confiar plenamente nas suas sábias providências com toda a sinceridade; e amá-lo com um amor inspirado por uma teologia correta que cobre a sua morte ‘com significado expiatório’.
Sempre devemos estar preparados para enfrentar a zombaria dos críticos e a investigação honesta daqueles que buscam a verdade. Pedro pode ter se lembrado daquela noite amarga em que negou a CRISTO. A resposta a qualquer que [...] pedir a razão da esperança envolve um relato racional das verdades básicas do Cristianismo e uma refutação convincente das acusações falsas. Esse tipo de resposta requer mansidão e temor e uma boa consciência (v. 16). Para ser eficiente, o testemunho deve estar baseado numa vida piedosa; deve ser apresentado com firmeza, livre de qualquer traço de rebeldia ou desrespeito para com os inquiridores, e deve vir de um coração que está consciente da presença divina. Nos dias de Pedro, quando os cristãos eram vistos como malfeitores e acusados de posições religiosas heréticas e maus costumes, sua melhor defesa não era uma argumentação veemente, mas um
bom procedimento (conduta) em CRISTO, o testemunho silencioso de uma vida santa centrada no Senhor JESUS” (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.233).
II – O QUE É APOLOGÉTICA?
1. Definição (1 Pe 3.15)
Apologética Cristã é a defesa lógica e racional da fé cristã e de suas práticas doutrinárias. O termo vem do substantivo grego apologia, que literalmente significa “defesa, resposta”. O termo grego traduzido por “responder”, em “preparados para responder com mansidão” em 1 Pedro 3.15 é apologia, numa tradução literal é “... sempre preparados para [uma] defesa”. A versão bíblica chamada de Nova Versão
Transformadora (NVT) emprega o verbo “explicar”, assim: “sempre preparados para explicá-la”. A Apologética mostra que o cristianismo é racional, os dados da revelação podem ser explicados de maneira metódica e sistemática, portanto, aceitável. JESUS disse que devemos amar a DEUS de todo o nosso coração[...] e de todo o nosso entendimento (Mc 12.30). Isso ensina que devemos amar a DEUS por completo, com o corpo, as emoções e o intelecto.
2. A que defesa Pedro se refere? (v.16)
Há quem argumente que essa defesa seja uma resposta a uma acusação, visto que essa mesma palavra, apologia, aparece, nesse sentido no Novo Testamento, como defesa de uma acusação tanto formal (At 22.1; 25.16) como informal (1 Co 9.3; 2 Co 7.11; Fp 1.7,16). O versículo 16 fala do bom testemunho cristão que serve para provar a inconsistência das acusações contra os crentes. Mas não parece ser esse o caso, porque a defesa, resposta ou explicação nessa passagem é sobre a razão da fé dos cristãos, e isso diz respeito à doutrina cristã. Ainda que Pedro esteja se referindo à resposta a uma acusação formal num ambiente hostil, não deixa de ser uma oportunidade para a defesa da fé cristã, como aconteceu com o apóstolo Paulo diante de Festo (At 26.24,25) e de Agripa, na mesma audiência (At 26.27-29).
3. Por que devemos combater as heresias? (3.16)
a) Para defesa própria (1 Tm 4.16): Os cristãos devem estar informados daquilo que os vários grupos ensinam e saber a forma de refutá-los biblicamente;
b) Para ajudar os outros na compreensão da própria fé: principalmente os que rejeitam pontos fundamentais da fé cristã e, muitas vezes, de forma inconsciente, pois sabemos que existem muitas pessoas sinceras as quais buscam servir a DEUS e precisam conhecer a sua Palavra (Tt 1.9). Esse debate sobre as crenças deve ocorrer de maneira respeitosa e com argumentos e fundamentação bíblica, respondendo às objeções contra a fé cristã. O êxito dessa luta é garantido quando se está nos domínios do ESPÍRITO SANTO (Jo 16.13).
SINÓPSE II - O cristão é chamado a responder de maneira respeitosa às objeções contra a fé cristã.
III - O QUE SÃO HERESIAS?
1. Seitas e heresias
A palavra hairesis no Novo Testamento grego é traduzida como “seita” (At 5.17; 15.5;24.5; 28.22) e “heresias” (1 Co 11.19; Gl 5.20; 2 Pe 2.1). É verdade que o Cristianismo foi também chamado de “seita”, mas por não cristãos, pessoas que não conheciam as verdades do Evangelho de CRISTO e que se opunham a Ele (At 24.5,14; 28.22). A palavra “seita” é usada para designar as religiões heterodoxas. É um termo já desgastado, trazendo em si, muitas vezes, um tom pejorativo, por isso devemos saber
quando aplicá-lo.
2. “Hairesis” no Novo Testamento
Esse vocábulo aparece com o sentido de “partido, espírito sectário” e nem sempre representa uma ruptura com o sistema convencional de determinada comunidade. Os saduceus e os fariseus eram seitas que formavam facções dentro do próprio judaísmo (At 5.17; 26.5), e a versão bíblica NAA traduz por “partido”. Paulo adverte para que não haja no seio da igreja essas divisões (hairesis) e condena as inovações doutrinárias que causam divisão ou dissensão (1 Co 11.19; Gl 5.20).
3. Heresias de perdição (2 Pe 2.1)
É nessa passagem que hairesis apresenta o sentido de erro doutrinário como a “heresia”, propriamente dita, no campo teológico que nós conhecemos hoje. As heresias distorcem os pontos principais da doutrina cristã no que diz respeito a DEUS: Trindade, o Senhor JESUS CRISTO e o ESPÍRITO SANTO; ao ser humano: natureza, pecado, salvação, origem e destino; aos anjos; à igreja e às Escrituras Sagradas. O mais grave erro é quando diz respeito à Divindade e interfere na salvação (v.1b), pois não existe salvação sem JESUS (Jo 14.6; At 4.12).
SINÓPSE III - O apóstolo Paulo adverte acerca das divisões no seio da igreja e condena as inovações doutrinárias que causam dissensões.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO - SEITA
“A palavra grega hairesis traduzida como ‘seita’ em algumas versões significa literalmente ‘divisão’ ou ‘partido’, sem uma conotação depreciativa. Ela era usada para falar das várias escolas filosóficas de pensamento. E usada nesse sentido neutro a respeito dos fariseus e saduceus em Atos 5.17; 15.5. Nos últimos capítulos do livro de Atos, onde ela é usada em relação aos cristãos, começa a aparecer um tom mais crítico (24.5; 26.5; 28.22). Em 1 Coríntios 11.19; Gálatas 5.20 e 2 Pedro 2.1, algumas versões a traduzem como ‘heresias’. Embora não se possa ter a certeza de que esta palavra passou a ser sinônimo de falsas doutrinas assim tão cedo, ela é usada aqui no sentido de ‘dissensão’ ou ‘opiniões destrutivas’ (Arndt. p. 23)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.1785).
CONCLUSÃO
Os apóstolos responderam aos opositores da fé cristã e lançaram a base da nossa teologia. Todos os escritos do Novo Testamento mostram essa luta acirrada contra as falsas doutrinas. É, pois, tarefa da igreja atual “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 3). Finalizamos com a seguinte pergunta para reflexão: Estamos a fazer pela verdade o que esses agentes da heresia fazem pela mentira?
