João 5.19-20,22-23,26-27
1 - O Amor do Pai é visto no Filho
Veremos nesse tópico que o amor do Pai se revela de forma concreta e suprema na pessoa e na obra de Jesus Cristo, o Filho.
O amor do Pai não é apenas sentimento, mas se expressa em ação, Ele entregou o Filho: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito" (João 3:16).
Jesus é a revelação visível do amor e do caráter do Pai: "Quem vê a mim, vê o Pai" (João 14:9)
O amor do Pai se manifesta na cruz, em Cristo: "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8)
Jesus é a prova viva do amor divino: "Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele" (1João 4:9-10)
1.1 - O Filho Unigênito de Deus
Jesus o Unigênito
"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória como do Filho unigênito do Pai" (João 1:14)
O título "Filho Unigênito" é riquíssimo de significado e, de fato, foi central na reflexão teológica da Igreja. Na tradução tradicional traz o sentido de "Único Gerado" ou "Unigênito" do grego "Monogenês" que não significa simplesmente "gerado biologicamente", mas sim: o único Filho, singular, sem igual, diferente de qualquer outro.
Porque Jesus é chamado de "Filho Unigênito" ?
(a) Jesus é o Filho em um sentido único, que ninguém mais compartilha
(b) Nós podemos ser chamados "filhos de Deus" por adoção (João 1:12; Romanos 8:15), mas só Jesus é o Filho Unigênito, porque só Ele tem a mesma essência do Pai.
(c) Jesus é o único, eterno, consubstancial ao Pai
(d) "Filho Unigênito" não é sobre criação, mas sobre natureza divina única.
Jesus o Primogênito
"Ele é a imagem de Deus invisível, o primogênito de toda a criação" (Cl 1:15)
Alguns grupos interpretam esse versículo como se Jesus fosse uma "criatura" criada por Deus Pai. Mas, olhando o contexto e a linguagem usada por Paulo, o sentido é mais profundo:
1. "Imagem de Deus invisível"
Jesus é chamado de imagem (no grego eikón), ou seja, a perfeita expressão e revelação de Deus. Ele não é apenas parecido com Deus, mas a própria manifestação de quem Deus é (João 14:9 diz "quem me vê a mim, vê o Pai"). Isso mostra que Jesus é da mesma natureza do Pai, não uma criatura inferior.
2. "Primogênito de toda a criação"
O termo "Primogênito" não significa necessariamente "o primeiro a ser criado", pode indicar posição de supremacia, honra e autoridade.
(a) Em Êxodo 4:22, Israel foi chamado de "meu filho primogênito", contudo, não foi o primeiro povo a ser criado.
(b) Em Salmo 89:27, Deus chama Davi de "meu primogênito, o mais excelso dos reis da terra", mesmo que Davi não fosse o primeiro filho de Jessé.
3. O Contexto de Colossenses 1:15
O próprio texto continua explicando:
"Pois nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra ... tudo foi criado por meio dEle e para Ele. Ele é antes de todas as coisas e que é nEle que tudo se mantém" (Cl 1:16-17).
Aqui fica evidente que Jesus não pode ser criatura, porque tudo foi criado por meio dele. Se Ele fosse parte da criação, Paulo não poderia dizer que "todas as coisas" foram criadas por meio dele.
Além disso, Paulo afirma que Jesus é antes de todas as coisas e que é nele que tudo se mantém.
Conclusão
(1) "Primogênito da criação" não significa que Jesus foi criado, mas que Ele é o soberano sobre toda a criação, o herdeiro e Senhor dela.
(2) Jesus é eterno, preexistente e participante da obra da criação (João 1:1-3; Hebreus 1:2-3).
(3) Colossenses 1:15 afirma a supremacia e divindade de Cristo, não que Ele seja uma criatura.
(4) Jesus não é criatura do Pai, mas o Filho eterno, imagem perfeita de Deus e Senhor de toda a criação.
Tema de Debates Teológicos: Jesus Gerado x Criado
Essa diferença entre Jesus "Gerado" e "Criado" foi um dos debates mais intensos da história da igreja, especialmente nos primeiros séculos do cristianismo.
Criado: significa que Jesus teve um início de existência, foi feito do nada pelo Pai, como todas as criaturas.
Gerado: significa no sentido teológico, que Jesus, o Filho, precede do Pai de maneira eterna, sem começo, compartilhando da mesma natureza. Jesus não foi criado (como os anjos, homens e animais), mas foi eternamente gerado pelo Pai. Isso significa que Ele sempre existiu, mas sua relação com o Pai é de "Filho Unigênito" (João 1:14,18).
1. A Controvérsia Ariana
Ário (Presbítero de Alexandria) ensinava que o Filho foi criado pelo Pai antes de todas as coisas. Sua famosa frase era: "Houve um tempo em que o Filho não existia". Para Ário, Jesus era superior às criaturas, mas ainda assim não era Deus eterno.
2. Atanásio e o Concílio de Niceia (325 d.C)
No credo Niceno foi feito uma declaração para afastar a ideia de que Jesus fosse criatura: "Cremos em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial do Pai"
3. A Doutrina "Geração Eterna do Filho"
Os pais da Igreja (Atanásio, Basílio, Gregório de Nazianzo, Agostinho) desenvolveram a doutrina da "Geração Eterna do Filho' , a saber:
(a) O Pai é eternamente o Pai
(b) O Filho é eternamente o Filho
(c) Não existe um "antes" do Filho, porque a paternidade do Pai pressupõe a geração do Filho
(d) Essa geração não é um ato no tempo, mas uma realidade eterna da Trindade
Conclusão
(1) Podemos dizer que Jesus foi Gerado e não Criado
(2) Isso significa que Jesus compartilha da mesma essência divina do Pai, mas mantém sua identidade de Filho
(3) Esse foi um dos pontos centrais da formulação da doutrina da Trindade e da vitória da ortodoxia cristã sobre o arianismo.
(4) Jesus não é criatura, mas o Filho eterno, gerado do Pai desde a eternidade, consubstancial a Ele
Influência do Arianismo Antigo para Hoje
Como vimos o arianismo foi oficialmente condenado no Concílio de Niceia (325) e também no Concílio de Constantinopla (381), porém, suas ideias nunca desapareceram totalmente: foram retomadas em diferentes épocas da história em seitas que negavam a Trindade.
1. Testemunhas de Jeová
(1) Afirmam que Jesus é o Filho de Deus, mas não o Deus eterno
(2) Ensinam que Ele foi a primeira criatura criada por Jeová, identificando com o arcanjo Miguel
(3) Sua tradução da Bíblia (Tradução do Novo Mundo) traduz João 1:1 como "O Verbo era um deus"
(4) Jesus não é Deus, mas criatura elevada
Essa posição das Testemunhas de Jeová é praticamente Ariana em essência.
2. Cristadelfianos
(1) Negam a Trindade e a preexistência de Cristo.
(2) Ensinam que Jesus teve início em Maria, sendo um homem especial, mas não Deus eterno.
3. Unitarianos
Embora menos comuns hoje, tradições unitarianas ainda existem em alguns círculos. Negam a divindade plena de Cristo e entendem Jesus como mestre humano ou ser criado.
Conclusão
(1) A maioria esmagadora das igrejas cristãs históricas e evangélicas (católicos, ortodoxos, protestantes e pentecostais) crê que Jesus é Deus eterno, não criado, mas gerado.
(2) Mas grupos como Testemunhas de Jeová, Cristadelfianos e Unitarianos, são, sim, herdeiros modernos da teologia de Ário.
1.2 - A Vontade do Filho é a mesma do Pai
"Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma ... Porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou" (João 5:30)
Através desse versículo podemos afirmar que a vontade do Filho está em perfeita harmonia com a vontade do Pai, mas precisamos entender bem em que sentido.
1. Jesus como homem obediente
(a) Na encarnação, o Filho assumiu voluntariamente a posição de servo (Fp 2:6-8)
(b) Isso significa, que, como homem, Jesus se submeteu à vontade do Pai me tudo
(c) Não porque tivesse vontade contrária, mas porque Sua missão era viver em perfeita obediência.
2. Unidade de Propósito
A vontade do Filho e do Pai estão em total acordo: "A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra" (João 4:34).
3. Na Trindade
(a) Pai e Filho compartilham da mesma essência divina, não podem ter vontades opostas
(b) O que o Pai deseja, o Filho também deseja, em perfeita unidade
(c) João 10:30 diz "Eu e o Pai somos um"
Conclusão
(a) Em natureza divina, a vontade do Filho é idêntica à do Pai
(b) Em sua humanidade, Jesus demonstrou obediência perfeita, não buscando interesse próprio, mas cumprindo a missão que o Pai lhe deu
(c) João 5:30 mostra tanto a humildade do Filho encarnado, quanto a unidade absoluta entre Pai e Filho,
1.3 - O Filho foi enviado para fazer as Obras do Pai
"É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar" (João 9:4)
O versículo acima confirma que Jesus foi enviado para realizar as obras do Pai.
Sua missão, seus milagres, sua vida e morte não foram obra própria, mas expressão da vontade divina.
Isso também nos ensina que a Igreja contínua hoje a missão de Cristo, fazendo as obras do Pai em Seu nome (João 20:21)
2 - O Filho revela o Pai
Veremos neste tópico que O Filho revela o Pai, na Bíblia encontramos vários textos que nos dá base essa afirmação, vejamos :
1. Jesus é a revelação visível do Deus invisível
"Ninguém jamais viu Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou" (João 1:18)
"Ele é a imagem do Deus invisível" (Colossenses 1:15)
2. Jesus é a expressão perfeita do Pai
"Quem me vê a mim, vê o Pai" (João 14:9)
"O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser" (Hebreus 1:3)
O que significa "revelar o Pai" ?
Significa que o Filho não apenas fala do Pai, mas torna o Pai conhecido. Significa que sem Jesus, o Pai permanece oculto, mas, em Jesus o Pai é plenamente revelado.
Jesus revelou o pai na encarnação (João 1:14), nos seus ensinos (João 12:49-50), nas suas obras e milagres (João 10:37-38), na cruz (João 3:16; Romanos 5:8).
2.1 - O Filho de Deus na Criação
Nosso comentarista da Revista mencionou vários versículos que confirma a doutrina cristã de que Jesus não apenas existiu antes de João Batista, mas também antes que o universo fosse criado, e que Ele participou ativamente da criação de tudo o que existe. Jesus é, portanto, o Filho de Deus, pessoa da Trindade, que existia desde a eternidade. Algumas bases bíblicas :
"Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez" (João 1:3)
"nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo" (Hebreus 1:2)
"Este é aquele de quem eu disse: O que vem após mim é antes de mim, porque era primeiro do que eu" (João 1:15)
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1)
"a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação ... Nele foram criadas todas as coisas ... todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele. E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele" (Colossenses 1:15-17)
2.2 - O Filho de Deus é Divino
A Bíblia fornece uma base sólida para a crença de que Jesus é Deus e tem o mesmo grau de divindade que o Pai. Vários textos e passagens bíblicas apontam para essa verdade, quero destacar quatro :
Jesus é Deus Forte e Pai da Eternidade
"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado estará sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Isaias 9:6)
Vemos que um dos títulos proféticos dados a Jesus é "Deus forte". Este é um título que, no Antigo Testamento, é usado para se referir a Deus. Além disso, o profeta o chama de "Pai da Eternidade", indicando uma natureza eterna.
Jesus é Senhor
"Se com a tua boca confessares que Jesus é o Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (Romanos 10:9)
O termo "Senhor" (em grego Kyrios) era usado para Deus no Antigo Testamento (a tradução grega de YMWH, o nome sagrado de Deus) quanto para Jesus no Novo Testamento.
A atribuição deste título a Jesus o coloca no mesmo nível de divindade que o Pai.
Capacidade de Perdoar Pecados
Em Marcos 2:5-12, Jesus perdoa os pecados de um paralítico e, quando os escribas o questionam dizendo: "Quem pode perdoar pecados, senão Deus?", Jesus prova sua autoridade e poder ao curar o homem. Isso demonstra que Jesus tem a mesma autoridade divina para perdoar pecados que o Pai.
Jesus aceita ser adorado como Deus
A Bíblia mostra que Jesus recebe adoração, o que é reservado apenas para Deus.
Adoração de Tomé: Em João 20:28, o discípulo Tomé, ao ver as feridas de Jesus ressuscitado, o declara: "Senhor meu, e Deus meu!". Jesus não o repreende por essa afirmação, mas a aceita.
Adoração dos anjos: Hebreus 1:6 diz que os anjos de Deus "O adorem". A adoração dos anjos a Jesus demonstra seu grau de divindade, pois a Bíblia proíbe a adoração de qualquer ser que não seja Deus.
Esses e outros versículos e temas bíblicos são a base da crença na divindade de Jesus e na sua igualdade com o Pai, uma das doutrinas centrais do cristianismo.
2.3 - O Filho de Deus é Eterno
A Bíblia fornece uma base sólida para a crença de que Jesus é Eterno. Vários textos e passagens bíblicas apontam para essa verdade, vejamos alguns :
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1). Este versículo aponta para uma existência de Jesus que precede a criação, indicando que o Verbo (Jesus) já existia. Ele não foi criado, mas existia em união com Deus Pai desde a eternidade.
Jesus diz: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro" (Apocalipse 22:13). Ele se identifica com o título de eternidade de Deus.
"Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje e eternamente" (Hebreus 13:8). Este versículo afirma de maneira direta e inequívoca a natureza imutável e eterna de Jesus, contrastando-o com a transitoriedade das coisas terrenas.
"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado estará sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Isaias 9:6). Aqui o profeta Isaías o chama de "Pai da Eternidade", indicando uma natureza eterna.
"Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, Eu Sou" (João 8:58). O uso da expressão "Eu Sou" remete diretamente a Êxodo 3:14, onde Deus se revela a Moisés com o nome "Eu Sou o que Sou". Ao usar este título, Jesus afirma sua divindade e sua existência eterna, anterior a Abraão. Os judeus entenderam a implicação e tentaram apedrejá-lo por blasfêmia.
Jesus em oração diz: "E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse" (João 17:5). Jesus fala sobre a glória que compartilhava com o Pai antes da criação do universo, o que confirma sua preexistência, eternidade e sua natureza divina
3 - Pai e Filhos são Iguais
3.1 - O Filho de Deus é Onipotente
A Bíblia sustenta a crença de que Jesus é onipotente, ou seja, tem todo o poder. A onipotência é um dos atributos exclusivos de Deus, e vários versículos e narrativas bíblicas demonstram que Jesus possui esse poder ilimitado.
Comentário em Edição]
3.2 - O Filho de Deus é Onipresente
Jesus afirma sua presença em todos os lugares quando diz : "E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28:20). A Onipresença é uma atributo exclusivo de Deus.
3.3 - O Filho de Deus é Onisciente
Em João 2:25, é dito que Jesus "não necessitava de que alguém testificasse do homem, pois ele bem sabia o que havia no homem". A capacidade de conhecer o interior do ser humano é um atributo divino.

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