Introdução
Texto de Referência:
Rute
1:14-18
1 - A Origem de Rute
Quem era
Rute ?
Rute foi uma mulher moabita que
se tornou uma das figuras mais admiráveis da Bíblia Sagrada, conhecida por sua
fidelidade, fé e lealdade. A história dela está registrada no Livro de Rute, no
Antigo Testamento.
Quem era os
Moabitas ?
"Assim as duas filhas de Ló
conceberam de seu pai. A mais velha teve um filho e pôs-lhe o nome de Moabe;
este é o pai dos moabitas até hoje" (Gn 19:36-37).
Podemos notar que a origem dos
Moabitas foi moralmente conturbada, mas isso não foi impeditivo para que se
tornasse uma nação organizada.
A terra de Moabe era uma região
fértil e montanhosa, com planícies adequadas para a agricultura e criação de
gado.
A relação entre Israel e Moabe
foi marcada por conflitos e tensões religiosas, vejamos:
(a) Quando os israelitas saíram
do Egito, os moabitas recusaram ajuda e contrataram o profeta Balaão para
amaldiçoá-los (Nm 22-24).
(b) Mais tarde, mulheres
moabitas seduziram os israelitas levando-os à idolatria em Baal-Peor, o que
trouxe juízo divino (Nm 25).
(c) Durante o reinado de Davi e
outros reis, Moabe frequentemente lutou contra Israel, ora dominando, ora sendo
dominado.
Os Moabitas adoravam o deus
Quemós(ou Camos), mencionado em várias passagens bíblicas: "E Salomão edificou um altar a Quemós,
abominação de Moabe..." (1Rs 11.7).
Essa idolatria os distanciava de
Israel, que servia ao Deus verdadeiro, YHWH (Senhor).
Podemos considerar Moabe como
uma nação idólatra, perversa e arrogante (Is 16.6). Em 2 Reis 3:26-27, o rei de
Moabe, Mesa, sacrificou o seu próprio filho no muro da cidade para tentar obter
vitória contra Israel. Nem todos Moabitas eram cruéis, Rute era um exemplo
perfeito de uma moabita bondosa e leal que mais tarde tornou-se serve temente
ao Deus de Israel.
Com o passar dos séculos, Moabe
foi conquistada pelos babilônicos e, posteriormente, desapareceu como nação
distinta.
1.1 - Rute, a companheira
O casal israelita, Elimeleque e
Noemi juntamente com seus filhos haviam se mudado para Moabe por causa de uma
grande fome em Belém de Judá.
Depois de algum tempo,
Elimeleque e seus dois filhos morreram, deixando Noemi e suas Noras (Rute e
Orfa) viúvas.
Quando Noemi decidiu voltar a
Belém, ela orientou as noras a ficarem em Moabe. Orfa obedeceu, mas Rute tomou
a decisão extraordinária, preferiu abandonar sua terra, seu povo e seus deuses
para acompanhar Noemi e servir ao Deus de Israel.
Sua palavras ficaram marcadas na
história bíblica: "Não
me instes para que te deixe, e me afaste de ti; porque aonde quer que tu fores,
irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, e
o teu Deus é o meu Deus." (Rt 1.16).
1.2 - Uma história de Amizade
A história de Rute e Noemi vai
além de uma simples Amizade, mesmo dentro de um contexto de falta de
perspectiva ou garantias de futuro, nos traz lições preciosas sobre Fidelidade,
Lealdade e Fé verdadeira em Deus.
1.3 - O Início da História
Conforme já vimos acima, ao
tomar conhecimento que a situação de Belém de Judá havia melhorado, e o
problema da fome já era uma situação do passado em Judá, Noemi decidiu voltar
para sua terra, nesse contexto, Noemi teve uma atitude de grande amor, realismo
e desprendimento ao oferecer a Rute e Orfa a opção de voltarem para suas
famílias: "Ide, voltai cada uma à
casa de sua mãe; o Senhor use convosco de benevolência, como vós usastes com os
falecidos e comigo" (Rt 1.8).
A Lei do
Levirato
A Lei do Levirato (do hebraico
yibbum, "casamento do cunhado") era uma prática prevista na Lei de
Moisés para proteger o nome e a herança das famílias em Israel: "Se irmãos morarem juntos, e um deles
morrer, e não tiver filho, a mulher do falecido não se casará fora com homem
estranho; seu cunhado virá a ela, e a tomará por mulher, e exercerá o
levirato" (Dt 25.5-6).
Essa Lei tinha o propósito de:
(a) Preservar o nome e a herança
do falecido dentro da família
(b) Garantir sustento e
descendência à viúva
(c) Evitar que a terra da
família fosse perdida.
Aplicação
da Lei do Levirato no caso de Noemi
Noemi não tinha mais filhos
vivos (Malom e Quiliom morreram).
Ela era idosa, e não poderia
gerar novos filhos para que um dia casassem com as noras. Portanto, a Lei do
Levirato não podia ser cumprida. Esse foi um dos motivos de Noemi dar a opção
de suas noras retornarem aos seus pais: "Tornai, minhas filhas; por que iríeis comigo?
Tenho eu ainda no meu ventre mais filhos, para que vos sejam por maridos?
Tornai, filhas minhas, ide-vos, porque já sou velha demais para ter marido ...
ainda que dissesse: Tenho esperança ... esperáreis por eles até que viessem a
ser homens?" (Rt 1.11-13).
Noemi estava afirmando que não
havia mais nenhum homem na família que pudesse casar-se com Rute e Orfa,
conforme a Lei do Levirato (Lei do Resgatador), portanto não havia futuro com
ela, melhor recomeçar suas vidas em Moabe.
Rute não escolheu o caminho mais
fácil. Ela era moabita, jovem, e poderia ter recomeçado a vida em sua terra
natal. Mas, por amor à sua sogra, decidiu acompanhá-la e cuidar dela, mesmo sem
nenhuma garantia de futuro: "Não me instes para que te deixe, e me afaste
de ti; porque aonde quer que tu fores, irei eu, e onde quer que pousares, ali
pousarei eu; o teu povo é o meu povo, e o teu Deus é o meu Deus." (Rt
1.16).
2 - Rute foi recompensada por
sua Fidelidade
Rute não apenas escolheu seguir
Noemi, ela escolheu seguir o Deus de Noemi. Isso é extraordinário, porque os
moabitas eram um povo idólatra, que servia a Quemós e outros deuses pagãos. Mas
Rute declarou: "O teu Deus será o meu Deus" (Rt 1.16). Ela estava
abandonando os deuses de Moabe e se convertendo ao Deus verdadeiro de Israel.
Sua Escolha foi, portanto, um ato de conversão e fé genuína.
2.1 - A Bênção da Lealdade
A lealdade de Rute é um dos
aspectos mais belos e marcantes da sua história. Entre tantas virtudes dessa
mulher moabita, sua lealdade brilha como uma joia rara em meio à dor, à perda e
à incerteza: "Rute, porém, se apegou a
ela" (Rt 1.14).
Rute foi fiel quando não havia
vantagem, e essa fidelidade a conduziu ao plano redentor de Deus.
Rute teve Lealdade em meio à
perda, ela não foi Leal apenas a Noemi, ela foi leal também ao Deus de Noemi.
Ela abandonou sua cultura, seus
deuses e sua segurança para seguir o Deus de Israel. Sua lealdade humana estava
enraizada em um fé espiritual sólida.
2.2 - Rute e Orfa
Falar de Orfa é tão importante
quanto falar de Rute, porque as duas enfrentaram a mesma situação, mas tomaram
decisões diferentes, e isso ensina muito sobre fé, escolhas e compromisso.
A Bíblia mostra que Orfa amava
Noemi, e inicialmente quis segui-la. Mas, depois que Noemi insistiu para que
voltassem às suas famílias, Orfa cedeu: "Então levantaram a sua voz, e tornaram a
chorar; e Orfa, beijou a sua sogra; porém Rute se apegou a ela" (Rt 1:14). Esse versículo é muito revelador, vejamos :
Orfa beijou e partiu, um gesto
de afeto, mas sem compromisso duradouro, sumiu da história.
Rute se apegou, gesto de
fidelidade e perseverança.
A decisão
de Orfa foi lógica e até compreensível:
(a) Ela estava voltando para sua
família e sua cultura
(b) Em Moabe, teria chance de se
casar novamente
(c) Não teria que enfrentar a
pobreza e a rejeição em Israel
Mas, espiritualmente, ela
voltava também aos deuses de Moabe, uma decisão humana, não de fé: "Eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos
seus deuses, volta tu também após ela" (Rt 1.15).
O que
aprendemos com Orfa ?
Orfa representa aqueles que têm
bons sentimentos, mas não tomam decisões profundas de fé.
Ela não foi má, apenas voltou
atrás diante das dificuldades.
Boas intenções não bastam, é
preciso perseverar na fé até o fim.
As decisões espirituais exigem
renúncia. Nem sempre o caminho mais fácil é o melhor.
Orfa escolheu a segurança do que
conhecia, enquanto Rute escolher a fé no desconhecido.
Enquanto Orfa sumiu da história,
Rute tornou-se ancestral de Davi e de Jesus.
Deus não condena Orfa, mas
exalta a escolha de Rute, mostrando que a fé e a lealdade trazem recompensas
eternas.
Aplicação
Espiritual
Rute representa o coração que
decide firmemente seguir a fé, mesmo sem garantias humanas.
Orfa representa muitos que:
(a) começam bem a caminhada com
Deus, mas param no meio do caminho
(b) Têm afeto e simpatia pelo
Evangelho, mas não se comprometem plenamente
(c) Amam, mas não se apegam;
acreditam, mas não confiam até o fim.
2.3 - A Convicção de quem sabe o que quer
A motivação de Rute para não
acatar o conselho de Noemi e permanecer com ela foi muito mais espiritual do
que emocional.
Rute tomou uma decisão de fé,
amor e aliança com Deus, não apenas por apego familiar.
Rute não pensava como uma
moabita comum. Ela havia visto a fé de Noemi e de seu povo, e essa fé tinha
tocado seu coração. Rute percebeu que o Deus de Israel era real e digno de
confiança. Rute escolheu seguir a Deus, não apenas a sogra.
Rute havia conhecido o Deus vivo
através da convivência com Noemi. Mesmo diante da dor e da perda, ela tinha a
convicção que o Deus de Israel era o Deus Verdadeiro e que existia algo santo e
verdadeiro na fé de sua sogra Noemi.
A convicção de Rute fez ela
escolher a identidade da fé em vez da segurança da cultura.
Rute por certo não imaginava
tudo o que viria depois, casar com Boaz, ser bisavó de Davi, e fazer parte da
genealogia de Jesus, mas em seu coração, havia esperança de que Deus estava
conduzindo sua história.
3 - O Remidor
O Remidor (em hebraico Goel) que
significa resgatador, parente redentor ou vingador de sangue tinha um papel
fundamental na estrutura familiar, social e espiritual de Israel.
No Tempo de Rute, o Remidor
representava justiça, proteção familiar e preservação da herança.
O Remidor era um parente próximo
com responsabilidades legais e morais perante a família. O papel do Remidor
aparece em várias situações da Lei de Moisés. Eis as principais:
1) Resgatar
Propriedades vendidas por necessidade
Se um israelita empobrecesse e
tivesse que vender suas terras, um parente próximo deveria comprá-las de volta
para que a herança da família não se perdesse: "Se o teu irmão empobrecer
e vender alguma parte da sua possessão, então virá o seu parente mais chegado,
o seu remidor (goel), e resgatará o que seu irmão vendeu" (Lv
25.25). O objetivo era manter a terra dentro da família, pois a herança
era sagrada, um presente de Deus a cada tribo.
2) Resgatar
Pessoas vendidas como servos
Se um israelita se vendesse como
escravo por causa de dívidas, um parente poderia resgatá-lo, pagando o valor
devido: "Depois de haver-se
vendido, poderá ser remido; um de seus irmãos o poderá remir" (Lv 25.47-49). O Remidor restaurava a liberdade e a dignidade
do parente.
3) Vingar o
sangue do parente morto injustamente
O Goel haddam ("vingador de
sangue) podia buscar justiça por um assassinato dentro da família: "O vingador do sangue matará o homicida;
encontrando-o, o matará" (Nm 35.19). Essa era uma forma de preservar a justiça e a honra familiar na
ausência de um sistema policial como o moderno.
4) Casar-se
com a viúva do parente falecido (Lei do Levirato)
Se um homem morresse sem deixar
filhos, o parente mais próximo poderia se casar com a viúva para gerar
descendência em nome do falecido: "Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer, e não tiver filho, a
mulher do falecido não se casará fora com homem estranho; seu cunhado virá a
ela, e a tomará por mulher, e exercerá o levirato" (Dt 25.5-6).
Essa é a parte mais importante
para o contexto do livro de Rute, Boaz atuou como Remidor nesse sentido.
3.1 - Boaz, o Remidor
"E
Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: Vós sois hoje testemunhas de que
comprei da mão de Noemi tudo o que pertencia a Elimeleque, a Quiliom e a Malom.
E também tomo por mulher a Rute, a moabita, viúva de Malom, para suscitar o
nome do falecido sobre a sua herança" (Rt 4.9-10).
No caso de
Boaz, o papel remidor se aplicou da seguinte forma:
(1)
Resgatar a propriedade de Elimeleque (marido de Noemi)
(2)
Casar-se com Rute, a viúva, para preservar o nome e a herança da família.
Assim, Boaz
age como o verdadeiro remidor :
(a) Redime
a terra
(b)
Preserva a linhagem familiar
(c) Protege
as viúvas
(d) E
mantém o nome de Elimeleque vivo em Israel
Boaz era um
israelita rico, justo e piedoso, parente próximo de Elimeleque (marido falecido
de Noemi), portanto, o remidor.
3.2 - Boaz e Rute
Ao chegar de Moabe nas terras
dos Israelitas, Rute começa a colher espigas nos campos de Boaz para sustentar
Noemi e a si mesma. Boaz percebe o caráter íntegro, de lealdade e fé da moabita
Rute. Ele a protege e elogia, mostrando bondade e justiça: "Bem me foi contado tudo quanto fizeste à tua
sogra, depois da morte de teu marido..." (Rt 2:11).
Boaz é parente de Elimeleque e,
portanto, tem o direito e o dever de resgatar a herança da família e casar-se
com a viúva (Rute), garantindo a preservação do nome e da propriedade.
Ele cumpre esse papel com
integridade e respeito.
Boaz compra a terra de
Elimeleque e pede formalmente para casar-se com Rute, observando a lei de
Israel (Rt 4.1-10).
3.3 - A Recompensa de Rute e Noemi
Boaz resgata as Terras de
Elimeleque para a viúva Noemi e também se casa com a viúva Rute, cumprindo seu
papel de Remidor na integridade.
Boaz e Rute têm um filho chamado
Obede, que será pai de Jessé e avô do rei Davi, e para finalizar, Rute, a
moabita, se torna parte da genealogia de Jesus Cristo (Mt 1:5).
O papel de Boaz é um tipo
(figura profética) de Jesus Cristo, nosso Redentor, vejamos um comparativo :

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