Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. Mateus 6 .15
Jesus apresenta uma advertência solene e inegociável: a recusa em perdoar im
pede a experiência do perdão divino (Mt 6,15). Não se trata de condicionar a graça
ao mérito humano, m as de revelar a sua coerência interna. Quem foi alcançado
pela m isericórdia de Deus passa a viver sob a lógica dessa m esm a misericórdia.
Fechar-se ao perdão é rom per o fluxo da graça no coração. O texto não suaviza o
ensino, pois o Reino exige correspondência entre o que recebem os de Deus e o que
praticam os com o próximo.
A tragédia espiritual de um coração que não perdoa é profunda e silenciosa. A
mágoa não resolvida é transform ada em prisão interior, obscurecendo a oração,
endurecendo a consciência e enfraquecendo a comunhão com Deus. O ressenti-
mento corrói a alma e im pede 0 agir restaurador do Espírito Santo. Um coração
fechado para o perdão perm anece preso ao passado, refém da dor e incapaz de
experim entar a liberdade da nova vida em Cristo.
Se Esaú e Jacó não tivessem disposição para perdoar um ao outro, o desfecho
da sua história seria m arcado por violência, vingan ça e ruptura definitiva. A
ausência do perdão teria transform ado irm ãos em inim igos irrecon ciliáveis e
com prom etido o cum prim ento das prom essas divinas. Sem a graça, a história
da redenção seria atravessada por tragédias evitáveis. O perdão foi o ponto de
inflexão que perm itiu a restauração da relação e a continuidade do propósito
de Deus.
À luz desse ensino, somos confrontados com uma decisão urgente e espiritual.
Perdoar não é esquecer a dor, mas confiar o juízo a Deus e escolher a liberdade.
Quem se recusa a perdoar fecha as portas do coração para a graça que cura, pois
“o amor cobre multidão de pecados” (1 Pe 4-8, ARA). Hoje, o Senhor prontamente
nos convida a soltar as dívidas, liberar os ofensores e viver a réstauração que só a
m isericórdia divina pode operar.

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