Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a
palavra. E, descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo.” (At
8.4,5).
VERDADE PRÁTICA
A igreja só crescerá quando ultrapassar seus próprios
limites e levar a mensagem de Cristo para além de suas paredes.
INTRODUÇÃO
Nesta semana, vamos estudar como a Igreja foi dispersa por
causa de uma grande perseguição. Até então, os cristãos estavam concentrados em
Jerusalém e não tinham avançado na missão de espalhar o Evangelho. Mas tudo
mudou quando Estêvão, um dos sete escolhidos para servir, foi morto por causa
de sua fé. Na verdade, Jesus já havia predito em Atos 1.8 que os cristãos
seriam espalhados pelo mundo para anunciar a sua mensagem. Muitas vezes, Deus
usa circunstâncias para cumprir seus propósitos. Foi isso que aconteceu com a
igreja em Jerusalém: mesmo sofrendo uma grande perda e tendo de sair da cidade,
os cristãos não fugiram derrotados. Pelo contrário, eles continuaram firmes,
levando as Boas-Novas para outras pessoas.
I. A IGREJA DIANTE DA PERSEGUIÇÃO
1. Embora perseguida, não fragmentada. Por conta da
perseguição que foi movida contra Estêvão, o evangelista enfatiza que os
cristãos “foram dispersos pelas terras da Judeia e da Samaria, exceto os
apóstolos” (At 8.1). Os capítulos 4 e 5 de Atos registram a perseguição focada
mais sobre os apóstolos, líderes da igreja. O fato de eles não terem se
dispersado, como fizeram os demais crentes, não significa que eles também não
foram perseguidos. Eles ficaram em Jerusalém porque a igreja, sob pressão e
perseguição, precisava deles. O que está em foco aqui é a intensidade que a
perseguição atingiu, que daquele momento em diante alcançaria todos os crentes.
Deve ser também destacado que, mesmo perseguida e dispersada, essa igreja não
se desorganizou nem se fragmentou, mas continuou uma igreja forte e unida.
2. A igreja em luto. A narrativa de Lucas destaca que “uns
varões piedosos foram enterrar Estêvão e fizeram sobre ele grande pranto” (At
8.2). A palavra kophetós, traduzida aqui como “pranto” significa também
“choro”, “lamentação” e “luto”. Lucas nos informa que esse pranto foi feito por
“varões piedosos”. O texto não especifica quem eram eles. Alguns acreditam que
fossem judeus que viviam em Jerusalém e cuja oposição aos cristãos não era tão
intensa. O contexto favorece que eram cristãos compassivos que fizeram esse
lamento antes também de fugirem ou serem dispersados.
3. Mas não desesperada. O fato é que a igreja pranteou
Estêvão, chorou por ele e lágrimas foram derramadas. Contudo, o texto não
mostra uma igreja desesperada, desmotivada ou devorada pela tristeza. Um de
seus membros queridos e ilustres havia sido morto, trazendo consequências para
todos, mas isso não a calou nem tampouco a impediu de manter-se entusiasmada
para avançar no testemunho de Cristo.
II. A IGREJA QUE EVANGELIZA
1. Evangelização centrada na Palavra. Em Atos 8.4, lemos que
“os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra”. Esse
versículo mostra que a Igreja Primitiva era movida pelo poder do Espírito
Santo, ou seja, cheia da presença divina para levar a mensagem de Jesus
adiante. Mas, além disso, a Igreja de Jerusalém também era focada na Palavra de
Deus. Os cristãos que foram espalhados por diferentes lugares não pararam de
falar sobre as Boas-Novas de Jesus. A Igreja Primitiva operava sob o Espírito
Santo e era, portanto, firmada na Palavra de Deus. Sua fidelidade à mensagem do
Reino resultou em muitas conversões, milagres e libertações. Se queremos
evangelizar com êxito, também precisamos viver pelo poder do Espírito e estar
centrados na Bíblia.
2. Evangelização centrada em Cristo. Filipe, um dos sete
escolhidos para servir na igreja, também foi disperso e, ao chegar a Samaria,
“lhes pregava a Cristo” (At 8.5). Como já vimos, um ministério bem-sucedido
precisa ser fiel à Palavra de Deus, mas também deve ser totalmente centrado em
Jesus. Filipe não pregava ideias da moda, mas sim, a mensagem da cruz. Cristo
era o centro de sua pregação. Assim, a evangelização precisa ser focada em
Jesus. Qualquer pregação que não tem a cruz como base se torna vazia. É a
mensagem da cruz que transforma vidas, trazendo cura, libertação e salvação.
Foi por isso que a campanha evangelística de Filipe em Samaria teve tanto
impacto: muitas pessoas foram salvas e libertas. Portanto, não devemos colocar
nossa confiança em estratégias humanas, mas priorizar nossa ação no poder do
Espírito e na força da Palavra.
III. A IGREJA QUE DÁ SUPORTE À EVANGELIZAÇÃO
1. O suporte da igreja. No Livro de Atos, lemos que “os
apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a
palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João” (At 8.14). Essa passagem mostra
que a igreja de Jerusalém dava suporte e completo apoio ao trabalho que era
feito fora de seus muros. Quando a igreja começou a sair fora de seus portões,
os apóstolos procuraram dar apoio e suporte ao trabalho evangelístico e
missionário. Não basta mandar missionários, é necessário dar-lhes suporte na
missão que realizam.
2. A igreja que discipula. Lucas mostra que os apóstolos,
tendo ido a Samaria “oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo” (At
8.15). Esse texto mostra, além do apoio dado ao ministério de Filipe, o
trabalho de discipulado da Igreja. Fazia parte da doutrina dos apóstolos o
ensino sobre a iniciação cristã, que envolvia o ensino sobre a conversão, o
batismo nas águas e a capacitação do Espírito. O texto bíblico diz que as
pessoas aceitaram a Palavra de Deus, isto é, se converteram e foram batizadas nas
águas. Contudo, por uma razão não especificada, aqueles crentes não haviam
recebido o Espírito Santo.
3. Sem o recebimento do Espírito, o discipulado está
incompleto. Filipe pregou a Cristo e realizou muitos sinais entre os
samaritanos, levando-os à fé e ao batismo nas águas. Mais tarde, os apóstolos
Pedro e João foram enviados para que recebessem o Espírito Santo, completando
assim o discipulado desses novos crentes (At 8.14,15). Para os apóstolos, o
discipulado estava incompleto sem o recebimento do Espírito. Essa visão da
conversão cristã permanece, e devemos levar os novos na fé a desfrutarem da experiência
pentecostal, assim como fizeram os apóstolos.
CONCLUSÃO
Nesta lição, vimos como o Evangelho se espalhou rapidamente
após a perseguição contra a Igreja. Isso só aconteceu porque a mensagem cristã
tinha um foco claro: a Palavra de Deus e a cruz de Cristo. Sem Cristo e sem a
Bíblia, não há Evangelho. A Bíblia não destaca os métodos que Filipe usou para
evangelizar Samaria, mas enfatiza o poder do Espírito Santo e da Palavra de
Deus. Esse é o exemplo que devemos seguir.

Nenhum comentário:
Postar um comentário