Lição 12: O caráter missionário da igreja de Jerusalém
Atos 11.19-30.
INTRODUÇÃO
Como o evangelho alcançou Antioquia, uma
importante cidade da Síria dentro do Império Romano? Conhecer esse fato é
relevante porque, pela primeira vez, cristãos de Jerusalém levam a mensagem da
cruz aos gentios fora das fronteiras de Israel. Com o ingresso do Evangelho na
cidade de Antioquia, a igreja dava seu primeiro salto na missão transcultural.
Nesta lição, estudaremos sobre como o “Ide” de Jesus é levado a sério por um
grupo de cristãos refugiados, vítimas da perseguição que sobreviera a Estêvão em
Jerusalém. Esses crentes, mesmo sendo leigos, possuíam uma forte consciência
missionária. E, quando perseguidos, não escondiam sua fé, mas a compartilhavam
apontando sempre para a cruz de Cristo. Esse é um belo exemplo de fé cristã que
deve, não somente nos inspirar, mas, sobretudo, nos levar a agir como eles.
I.
UMA IGREJA COM CONSCIÊNCIA
MISSIONÁRIA
1. O Evangelho para além da
fronteira de Israel. Lucas abre essa seção de seu livro fazendo
referência aos cristãos, “os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu
por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia” (At 11.19).
Observamos que essa passagem bíblica faz um paralelo com Atos 8.1-4 onde narra
o início da perseguição em Jerusalém que gerou a dispersão cristã. Assim como
Filipe, que em razão da perseguição levou o Evangelho à cidade de Samaria, da
mesma forma esses crentes, que também faziam parte desse grupo de cristãos perseguidos,
levaram o Evangelho para além da fronteira de Israel.
2. Cristãos dispersados, mas
conscientes de sua missão. Esses cristãos dispersados, após fugirem de uma
perseguição feroz, não esconderam a sua fé. Aonde chegavam, anunciavam a
Palavra de Deus (At 11.19,20). Foi assim que eles deram testemunho do Evangelho
na Fenícia, Chipre e Antioquia. O que vemos são cristãos conscientes da missão
de testemunhar de sua fé onde quer que estivessem. Eles haviam sido
comissionados para isso (Mt 28.19; At 1.8). Somente cristãos participantes de
uma igreja consciente de sua tarefa missionária age dessa forma. Eles não perdem
o foco: anunciam o Senhor Jesus em qualquer tempo, lugar e circunstância.
3. Cristãos leigos, mas capacitados
pelo Espírito. Lucas destaca que dentre esses cristãos
havia “alguns” que levaram o Evangelho para Antioquia, capital da Síria, uma
cidade cosmopolita e uma das três cidades mais importantes do Império Romano
(At 11.20). O texto deixa claro que foram esses cristãos “comuns” os fundadores
da igreja de Antioquia, uma das mais relevantes e importantes do Novo
Testamento (At 13.1-4). Eram cristãos anônimos e leigos. Eles não são contados
entre os apóstolos, diáconos ou presbíteros. Contudo, eles foram usados por Deus
para fundar aquele trabalho e foram bem-sucedidos porque “a mão do Senhor era
com eles” (At 11.21), conforme Lucas destaca. Esse era o segredo que fez toda a
diferença. O que fica em destaque, portanto, não era o ofício ou o cargo, mas a
capacitação do Senhor. Os apóstolos eram extraordinários e os profetas
excepcionais somente porque sobre eles também estava a mão do Senhor.
II. UMA IGREJA COM VISÃO
TRANSCULTURAL
1. A cultura grega (helênica). A Bíblia nos conta que alguns cristãos que tinham sido
espalhados pelo mundo chegaram a “Antioquia, falaram aos gregos” (At 11.20).
Essa expressão, “falaram aos gregos”, é muito importante. De acordo com
estudiosos, ela explica que esse foi o primeiro momento em que cristãos judeus
falaram de Jesus para pessoas que não eram judias, adoravam outros deuses e não
seguiam o Judaísmo. Isso mostra que a igreja começou a levar a mensagem de
Jesus para além das fronteiras da Palestina, chegando a um mundo totalmente
diferente, onde as pessoas não conheciam a fé judaica. Ou seja, não eram judeus
que falavam grego pregando para outros judeus da mesma cultura, mas cristãos
judeus que falavam grego levando o Evangelho a pessoas que não tinham nenhuma
ligação com o Judaísmo. Dessa forma, o que Jesus havia ordenado — pregar o
Evangelho a “toda criatura” (Mc 16.15) — começou a se cumprir.
2. Contextualizando a mensagem. Podemos ver aqui um exemplo de como os primeiros
cristãos adaptavam a mensagem ao contexto em que estavam. Lucas nos conta que
eles “anunciavam o evangelho do Senhor Jesus” (At 11.20). O texto é curto e
direto, mas esses cristãos estavam pregando para pessoas que não eram judias.
Isso significa dizer que eles não podiam simplesmente usar o Antigo Testamento
para provar que Jesus era o Messias prometido, porque isso não faria sentido
para aquele público. Diferente dos judeus e samaritanos, que já esperavam um
Messias (At 2.36; 5.42; 8.5; 9.22), os gentios não tinham essa mesma
expectativa. Além disso, esses cristãos também não mencionam costumes judaicos,
como a circuncisão, que Estêvão citou em seu discurso (At 7.51), porque isso
não fazia parte da cultura dos gentios. Em vez de enfatizar que Jesus era o
Messias, eles destacavam que Ele é o Senhor. Ou seja, estavam dizendo que os
pagãos precisavam deixar seus falsos deuses e se voltar para o único e
verdadeiro Senhor (At 14.15; 26.18,20). Dessa forma, sem comprometer a verdade
da mensagem, o Evangelho foi se espalhando e alcançando diferentes culturas.
III. UMA IGREJA QUE FORMA
DISCÍPULOS
1. A base do discipulado. Ao serem informados de que o Evangelho havia chegado a
Antioquia (At 11.22), a partir de Jerusalém, os apóstolos enviaram Barnabé para
lá. Chegando ali, Barnabé viu uma igreja viva e cheia da graça de Deus (At
11.23). Como um homem de bem e cheio do Espírito Santo, Barnabé os encorajou na
fé (At 11.24). Contudo, logo se percebeu que aquela igreja precisava de mais
instrução, ou seja, precisava ser discipulada. Com esse propósito, Barnabé foi
em busca de Saulo para que o auxiliasse nesta missão. E assim foi feito: “E
sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente” (At
11.26). Esse episódio nos mostra que não basta ganhar almas, é preciso
ensiná-las. Sem o ensino, a igreja não cresce em graça e conhecimento. O
crescimento saudável só é possível por meio da obra da evangelização e do
discipulado.
2. Denominados de “cristãos”. Os cristãos de Jerusalém haviam sido chamados na igreja
de “irmãos” (At 1.16); “crentes” (At 2.44); “discípulos” (At 6.1) e “santos”
(At 9.13). Também passaram a ser identificados tanto pelos de dentro da igreja
como pelos de fora dela como aqueles que eram do “Caminho” (At 9.2; 19.9,23;
22.4; 24.14,22). Agora em Antioquia são chamados de “cristãos” (At 11.26). O
termo “cristãos” tem o sentido de “pessoas de Cristo”.
3. A identidade cristã. O que realmente define um cristão não é apenas um nome
ou um rótulo, mas sim sua vida, sua fé e suas atitudes. Embora alguns
estudiosos acreditem que o termo “cristão” tenha sido usado em Antioquia como
uma forma de zombaria, a verdade é que aqueles seguidores de Jesus demonstravam
um grande entusiasmo e dedicação, assim como os primeiros crentes que vieram da
igreja de Jerusalém para pregar naquela cidade. O nome “cristão” aparece
novamente na Bíblia em Atos 26.28 e 1 Pedro 4.16. Segundo a Bíblia, ser cristão
significa crer em Jesus, abandonar o pecado e receber a salvação como um
presente de Deus, dado pela sua graça
CONCLUSÃO
Aprendemos como a providência de Deus
faz com que o Evangelho chegue, por meio da Igreja, a povos ainda não
alcançados. O que se destaca não é uma metodologia sofisticada de evangelismo,
mas a graça de Deus, que capacita pessoas simples e anônimas a realizarem a sua
obra. Quem deseja fazer, Deus capacita. Ninguém jamais terá tudo de que precisa
para cumprir a obra de Deus; no entanto, se Deus tiver tudo de nós, Ele nos
habilitará a realizá-la.

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