INTRODUÇÃO
No capítulo 5, Paulo mostra que somos guiados ou pela carne ou pelo Espírito. Ele falou anteriormente a respeito do cuidado de não se valer da liberdade para que fosse dada ocasião à carne. Desta feita, o apóstolo menciona que existe uma luta dentro de nós para fazer o que é certo ou o que é errado, e que aqueles que são conduzidos pelo Espírito manifestam o Fruto, ao passo que os que são convencidos, em suas ações, a resistir ao Espírito e seguir a natureza humana, manifestam as obras da carne.
1. Andai em Espírito. Paulo já tratou sobre a importância da liberdade, e agora passa a mostrar aos gálatas o distanciamento que há entre viver na carne e ser guiado pelo Espírito (Gl 5.16). Observe que o verbo está no imperativo; aqui não é uma recomendação, mas uma ordem. O cristão deve entender que a única opção para que não cumpra os desejos da natureza humana é andar no Espírito. A íntima comunhão e a dependência constante das orientações do Espírito são a única chave para uma vida de santidade e integridade no Senhor. Não bastava que os gálatas valorizassem a liberdade que receberam de Cristo. Com essa liberdade, eles deveriam andar no Espírito. De nada adianta a liberdade se a pessoa permanece presa às práticas que ainda a identificam como prisioneira.
2. A luta que existe em nós. Há uma luta interior constante para que sigamos a vontade da nossa carne e não sejamos guiados pelo Espírito. A carne luta contra o Espírito, e esse, contra a carne (Gl 5.17). Não é uma luta visível, pois acontece no nosso íntimo, mas as consequências são. Essa luta nos mostra uma verdade: o Novo Nascimento não elimina a velha natureza pecaminosa. Se assim fosse, não veríamos nas Escrituras tantas advertências a que buscássemos a santificação e a mortificação constante do pecado em nós. Não é possível trazer satisfação às duas naturezas, então quem conhece a Cristo terá de escolher que natureza vai agradar e fortalecer. A carne representa a nossa natureza que busca satisfação naquilo que desagrada a Deus. Ela não desaparece nem morre quando uma pessoa recebe a Jesus pela fé e é perdoada de seus pecados. Esse texto também nos mostra que o Espírito pode e deseja nos guiar para uma vida mais plena em que manifestemos o Fruto do Espírito, que Paulo descreverá a seguir. Mas observe que Paulo mostra antes as obras da carne e a sua consequência (Gl 5.16-21). O Evangelho primeiro mostra que o homem é pecador. Depois da má notícia, vem a boa: existe salvação em Jesus. Da mesma forma, Paulo fala primeiro das obras da carne, para depois falar do Fruto do Espírito.
1. Prostituição, impureza, lascívia. As três primeiras obras
da carne estão relacionadas ao comportamento sexual (Gl 5.19). Deus nos fez
seres sexuais, mas o pecado faz com que o ser humano ultrapasse os limites
impostos por Ele.
A prostituição abarca todas as relações sexuais ilícitas, e
não somente a prática sexual por dinheiro. A prostituição torna o corpo impuro
aos olhos de Deus, e a lascívia é a sensualidade exagerada, um comportamento
que não se preocupa com a moralidade, onde a pessoa peca sem se preocupar com
qualquer vergonha.
2. Idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações. A
idolatria, de acordo com os Dez Mandamentos, é pecado. Esse erro coloca o que
foi criado no lugar do Criador. A palavra grega pharmakeia, era originalmente
utilizada para se referir a uma bebida que, se usada na medida certa, poderia
salvar a vida de uma pessoa, um remédio. Com o passar do tempo, foi sendo usada
para se referir a entorpecentes que conduziam pessoas a ter visões dos seus
deuses, e no Novo Testamento passou a ser como a feitiçaria, bruxaria. Já as
inimizades abrem a lista de pecados que afetam as relações interpessoais.
3. Iras, pelejas, dissensões e heresias. A ira é uma
manifestação de fúria, que pode tirar o controle do ser humano. As pelejas ou
discórdias buscam um poder pessoal. Dissensões são desentendimentos causados
por divisões. As heresias ou facções são originalmente divisões feitas para
separar pessoas. No Novo Testamento, essa palavra representava grupos, como os
fariseus e saduceus. A sua tônica é a categorização para a exclusão.
4. Invejas, homicídios, bebedices e glutonarias. A inveja é
o desejo de possuir algo que outra pessoa possui. O homicídio é fruto do pouco
ou nenhum apreço à vida de uma outra pessoa. Bebedices e glutonarias são abusos
do direito de poderem manter o corpo alimentado, onde a bebedice é a
consequência da ingestão de bebidas fortes, entorpecendo o corpo e o
pensamento, ao passo que as glutonarias eram costumeiramente presenciadas em
festas a outros deuses, onde a falta de domínio do apetite fazia os seus participantes
exagerarem de forma consciente na alimentação. Paulo também apresenta mais uma
exortação: Quem pratica essas coisas não herdará o Reino de Deus (v.21). Se
cremos que Paulo foi inspirado pelo Senhor em seus escritos, devemos crer
também que ele apontou o destino de quem vive na prática dessas atividades: o
Inferno. O fato de tratar a respeito desse assunto mostra a gravidade e o
perigo de se viver uma vida carnal.
1. Amor, gozo, paz. Se Paulo apresenta uma lista daquilo que
desagrada a Deus, ele apresenta igualmente uma lista de itens denominados de
Fruto do Espírito (Gl 5.22). Ele começa com o amor, a base para os demais
frutos, pois foi por amor que Deus enviou o seu Filho para morrer por nós,
pecadores. O gozo é uma alegria, um estado de satisfação que não depende de
circunstâncias externas. A paz é uma tranquilidade interna que é refletida na
harmonia entre relacionamentos. Esses três primeiros elementos vêm do relacionamento
do salvo com Deus, ao passo que os demais são cultivados na comunhão dos
santos.
2. Longanimidade, benignidade, bondade. Longanimidade é
sinônimo de paciência, de tolerância para ser resistente com as pressões da
vida e das pessoas. Benignidade é benevolência, uma forma de demonstrar um
trato amável com todos, mesmo com desafetos. Bondade é a generosidade na
prática.
3. Fé, mansidão, temperança. Fé, ou fidelidade em grego é
pistis, é sinônimo de confiabilidade, que é baseado em algo verdadeiro. Ter fé
é também ser fiel, confiável em todos os sentidos. A mansidão é agir com
brandura, mesmo que a ocasião permita que a ira seja a opção aceitável, levando
em conta que é possível se irar e não pecar. Temperança é domínio próprio, a
capacidade de ser vitorioso em relação aos desejos da natureza humana,
resistindo aos impulsos da tentação. Paulo deixa claro que aqueles que são de
Cristo crucificaram a carne (Gl 5.24). As obras que antes faziam não poderiam
ser vistas na nova vida que receberam pela fé em Jesus. Eles eram livres em
Cristo para não pecar, como faziam antes; e completa dizendo que se eles viviam
no Espírito, andassem no Espírito também (Gl 5.25). É impraticável uma pessoa
alegar que vive no Espírito e trilhar caminhos que são contrários à direção
dEle. Os judaizantes tentavam ensinar os gálatas a que dependessem da carne,
mas as consequências dessa dependência eram opostas ao pretendido por Deus.
Paulo os ensina a que vivam no Espírito. Viver andando na carne conduziria os
gálatas ao Inferno.
CONCLUSÃO

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