Lição 12: O que você semear, ceifará
Gálatas 6.1-8.
INTRODUÇÃO
O apóstolo Paulo se detém no
início do último capítulo a tratar da forma como a verdadeira liberdade cristã
pode ser vivenciada na comunhão dos santos. Para isso, ele destaca os seguintes
pontos: como tratar um irmão que pecou? Como pensar o que é o correto sobre nós
mesmos para não nos enganarmos? Como ter cuidado com o que plantamos, pois
colheremos depois? São três pontos importantes que mostram, na prática, a
espiritualidade que Deus espera que tenhamos.
I. COMO TRATAR DOS
PECADOS DOS IRMÃOS
1. A possibilidade de
se cometer um pecado. Paulo nos diz que é possível que um irmão na fé
seja surpreendido praticando algo que desagrada a Deus. A descrição feita não
se refere a uma pessoa que vive pecando, ou que deliberadamente desobedece à
Palavra de forma costumeira. Aqui é tratado a respeito de um servo ou serva de
Deus que cometeu um erro, um pecado, mas que não era intencional.
A palavra “restaurar”, no grego, é katartizo, que trazia a ideia
de colocar no lugar um osso que havia saído do lugar. É certo que fazer isso
não é simples, e no mundo antigo poderia causar bastante dor, mas era
necessário para a restauração do corpo. Mesmo como cristãos, nascidos de novo,
precisamos da ajuda do nosso próximo em alguns momentos difíceis. A restauração
de um irmão que pecou e se arrependeu começa na Casa de Deus, na comunhão dos
santos. É certo que há casos em que a disciplina na igreja deve existir, e ela
é necessária, mas deve ter um caráter terapêutico. Se uma parte do nosso corpo
sofre um ferimento, tratamos dele, mas há casos em que um membro do corpo está
tão infeccionado que precisa ser amputado, pois não está respondendo aos
tratamentos que lhe estão sendo administrados.
2. O que define uma
pessoa espiritual? A vida espiritual do cristão é um tema muito
discutido na atualidade, no entanto, não é algo exclusivo do nosso tempo, ele
também era conhecido nos dias de Paulo. As pessoas buscam algo que lhes conecte
com Deus, ou com alguma outra divindade. Buscam reverenciar algo ou alguém que
lhes oriente, que lhes dê um senso de direção e um propósito de vida.
Um espírito de mansidão é apresentado por
Paulo nesta Carta como um sinal de espiritualidade. É provável que esse
conselho tenha mais importância em nossos dias, onde os meios de comunicação e
as redes sociais se tornaram um campo fértil para brigas, contendas e disputas.
Há crentes que amam a Jesus, mas se veem
envolvidos em um pecado e precisam passar por um processo de restauração.
Observe que o Senhor não ordena, através do apóstolo, para que o mundo ajude um
crente que pecou. Ele ordena que aqueles que são espirituais, a igreja, ajudem
esses irmãos que caíram. Pessoas livres em Cristo valorizam tanto a liberdade
que cuidam para que seus irmãos não só recebam os cuidados necessários se
pecarem, como também buscam restaurar à comunhão aquele que se arrependeu,
confessou e abandonou o pecado.
A nossa vida espiritual, aos olhos de Deus,
não é medida somente pelos nossos momentos com o Senhor, mas também pelos
nossos momentos com nossos irmãos. Gritarias, grosserias e maus-tratos vão na
contramão do que Deus planejou para a comunhão do seu povo.
3. Todos podemos ser
tentados. Ninguém está imune à tentação. “Olhando por ti mesmo, para
que não sejas também tentado” (v.1). Não basta perceber quando um irmão falha,
ou corrigi-lo com espírito de mansidão: é preciso que estejamos atentos,
vigilantes para não cairmos no mesmo pecado.
Se mesmo o Senhor Jesus, cheio do Espírito,
foi tentado por Satanás após ter jejuado, nós também podemos ser tentados em
diversas áreas.
Não se pode negar que o pecado tem uma força
destruidora, e que não estamos livres de, em algum momento, nos deixar levar
pela antiga natureza e pecar contra Deus. O pecado domina a vida dos não
salvos, e tenta demover dos santos a comunhão com o Senhor.
Irmãos podem corrigir uns aos outros. E a
igreja espiritual incentiva que os espirituais possam corrigir os seus irmãos
que falham.
Da mesma forma que um medicamento busca
tratar uma pessoa doente, somos chamados a tratar dos nossos irmãos que pecaram
e demonstram arrependimento e vontade de trilhar novamente o caminho da
comunhão com Deus e a igreja.
II. LEVAI AS CARGAS UNS
DOS OUTROS
1. Levai as cargas
uns dos outros. A palavra “carga” é a tradução da palavra grega baros, que traz a ideia de
um fardo. Não é a representação de um pecado, mas de uma pressão, uma provação.
Nem todos temos os mesmos desafios ou lutas. Há irmãos, em nossas igrejas, que
passam por situações difíceis, que se tornam verdadeiras cargas, acrescentando
peso na caminhada. Essas lutas podem ser uma doença na família, um desemprego,
um divórcio, um luto etc. É preciso que sejamos sensíveis com nossos irmãos, na
mesma medida em que desejamos ser compreendidos.
Quem leva as cargas uns dos outros cumpre a
lei de Cristo. Os judaizantes inseriram nas igrejas da Galácia a ideia da
circuncisão como o início da prática da Lei para os gentios, mas se esses
irmãos queriam mesmo cumprir a lei de Cristo (Gl 6.2), e não a de Moisés,
deveriam ajudar uns aos outros.
2. O que você acha de
si mesmo? É notório que temos, todos nós, uma imagem do que somos. É
possível que vejamos a nós mesmos de uma forma e Deus nos veja de outra.
Um dos elementos facilitadores da tentação é
a arrogância (Gl 6.3). É um cuidado que todos devemos ter, pois não raro,
acreditamos que somos mais do que realmente somos. É da natureza humana
pecaminosa a arrogância, e por isso devemos cultivar um espírito humilde.
Observe que Paulo apresenta esse pensamento através de uma hipótese: “Se alguém
cuida ser alguma coisa” (Gl 6.3). Ele se vale dessa premissa não para apontar
pessoas, e sim para que seus leitores olhassem para si mesmos e não fossem
descuidados.
O orgulho pode nos fazer pensar que somos
superiores aos outros, que merecemos muito mais do que nos é dado, ou que
estamos sendo preteridos no trabalho, nos estudos e até mesmo na igreja.
3. O que é instruído
na Palavra. Uma pessoa que é abençoada recebendo um ensino das
Escrituras deve ter uma mente e um coração aberto à generosidade, pois aquele
que o está instruindo passou tempo aprendendo, entendendo um conteúdo e se
esmerando em repassá-lo para que o seu aluno possa crescer diante de Deus. A
palavra instruir, no grego, é katecheo, de onde vem a palavra catecismo, que
significa “instruir”, ensinar.
Uma pessoa espiritual compartilha o que
possui com outras pessoas, e no caso do ensino bíblico, isso é uma ordenança:
“E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o
instrui” (v.6).
Quem ensina precisa se qualificar, estudar,
aprender e usar o seu conhecimento para o crescimento do Reino de Deus.
Portanto, é justo que esse tipo de obreiro seja reconhecido na igreja e ajudado
a cumprir o seu ministério.
III. COLHENDO O QUE SE
PLANTA
1. Deus não se deixa
escarnecer. Pode parecer estranho Paulo dizer que Deus não se deixa
escarnecer para a igreja, mas foi necessário. Em nossos dias, o Eterno tem sido
apresentado erroneamente por alguns, como uma divindade boazinha, que existe
para ser acionada quando algumas pessoas se veem em problemas. Quantas
pregações têm sido veiculadas com o objetivo de mostrar um deus que obedece às
vontades humanas, que isenta os homens de seus pecados sem que haja
arrependimento. Mas esse não é o Deus da Bíblia.
Cremos na misericórdia do Senhor, na sua
presença quando invocado, e no seu poder de transformar situações, mas isso não
anula a nossa responsabilidade para com nossos erros.
A expressão “não erreis” deixa claro que quem
pensa que plantará na carne e colherá frutos no espírito está agindo fora do
conhecimento natural e espiritual.
2. Plantando e
colhendo (v.7). O que o homem semear, isso haverá de colher. A lei da
semeadura é opcional, mas a da colheita é obrigatória. Paulo não fala aqui da
simples ação da natureza levando sementes pelo vento para serem depositadas em
terrenos férteis, como ocorre com certas plantas. Paulo aqui foca a ação do
homem ao plantar o que vai ser colhido no futuro.
Deve se ter em mente que há uma lacuna de
tempo entre a semeadura e a colheita. Nem sempre as nossas ações, sejam elas
boas, sejam elas más, terão frutos imediatos, mas esses frutos, um dia nos
alcançarão.
3. Carne e Espírito
como campos de semeadura. A carne e o espírito são terrenos
férteis para serem semeados. Não é sem razão que no capítulo 5 o apóstolo fala
acerca das obras da carne e o Fruto do Espírito: dois “terrenos” a que, se dada
a devida atenção, trazem seus frutos. Ao longo da Carta, ele usa as palavras
Carne e Espírito algumas vezes. Ele queria que os gálatas soubessem, e nós
também, que essa luta é real, diária e precisa ser levada a sério. Não basta
saber quais são as obras da carne e o Fruto do Espírito. É preciso tomar uma
decisão: semear na carne e colher as obras da carne ou semear no espírito e
colher o Fruto do Espírito.
CONCLUSÃO
Cuidar uns dos outros com misericórdia,
restaurar o irmão que pecou e vigiar no que semeamos são orientações de Deus
para os nossos dias. Há leis no mundo natural que não podem ser quebradas, e no
mundo espiritual vale o mesmo. Se desejamos ser tratados com misericórdia caso
pequemos, ajamos da mesma forma com aqueles que pecaram, conduzindo-os ao
arrependimento e à restauração.

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