Introdução
Texto de Referência:
João
20.1-6,8
1 - A Prisão do Filho de Deus
A Acusação
A principal "acusação"
levantada contra Jesus, no contexto da prisão, não é explicitamente mencionada
por Judas ou pelos soldados no momento da captura. No entanto, a razão por trás
da prisão era a percepção de que Jesus se proclamava "Filho de Deus"
e "Rei dos Judeus", o que era visto pelas autoridades religiosas como
blasfêmia e uma ameaça ao poder estabelecido, tanto judaico quanto
romano.
O Momento
da Prisão
A prisão ocorreu no Getsêmani.
Jesus estava com seus discípulos quando Judas Iscariotes, um dos doze
apóstolos, chegou uma coorte de soldados romanos e guardas do templo enviados
pelos chefes dos sacerdotes e fariseus. No Evangelho de João, Jesus não é pego
de surpresa. Ele sabe o que vai acontecer e se identifica voluntariamente,
perguntando a quem procuravam e se entregando para que seus discípulos pudessem
partir em segurança. Portanto, a prisão de Jesus tinha caráter não apenas
religioso, mas também político (João 11:47-53).
As Fases do
Julgamento
O Capítulo 18 de João descreve a
trajetória de Jesus após a prisão, passando por três figuras principais:
1. O
Encontro com Anás
Após ser preso, Jesus é levado
primeiramente a Anás, que era o sogro de Caifás e um ex-sumo sacerdote. Mesmo
depois de deposto, continuou exercendo grande influência religiosa e política.
A intenção de levá-lo a ele era, provavelmente, obter uma avaliação
inicial antes do julgamento oficial.
Em João 18:19, Anás questionou
Jesus sobre seus discípulos e sua doutrina, tentando obter algo que pudesse
incriminá-lo. Jesus, porém, respondeu com firmeza, afirmando que havia ensinado
abertamente, deixando claro que nada havia feito em segredo.
2. O
Julgamento de Caifás
Em seguida, Jesus é enviado a
Caifás, o sumo sacerdote em exercício, que presidiu o julgamento de Jesus no
Sinédrio (Tribunal religioso judaico). Caifás era um homem de poder
político e religioso, ligado à família sacerdotal de Anás. Ele organizou o
julgamento noturno e ilegal que resultou na condenação de Cristo.
Em João 11:49-51, Caifás
afirmou: "Convém que morra um
só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação", nas suas próprias palavras acabou revelando o
propósito divino: a morte de Cristo para salvar a humanidade.
3. Jesus
entregue a Pôncio Pilatos
Jesus é entregue a Pôncio
Pilatos, o governador romano da Judeia. Os judeus não tinham autoridade para
executar a pena de morte, por isso o levam a Pilatos, acusando-o de se
proclamar Rei dos Judeus e de incitar o povo.
1.1 - O Filho de Deus é Julgado
Quando Jesus chega a Pilatos o
fogo do julgamento muda.
Pilatos, em sua inquisição,
pergunta a Jesus se ele é realmente o "Rei dos Judeus". Jesus
responde que seu reino não é deste mundo. Pilatos, então, não encontra crime em
Jesus de tenta libertá-lo, mas a multidão, manipulada pelos líderes religiosos,
insiste em que ele seja crucificado. É um momento de grande tensão por parte de
Pilatos, que acaba cedendo à pressão da multidão. O capítulo de João 19 termina
com Pilatos entregando Jesus para ser açoitado e, posteriormente, crucificado.
1.2 - A Crucificação do Filho de
Deus
A crucificação foi o mais cruel
e desumano instrumento de morte da época de Jesus, mas Deus transformou a maior
injustiça da história no maior ato de amor. Jesus, crucificado entre dois
ladrões, mostra que veio para estar no meio dos pecadores e dar-lhes vida
eterna. Por isso, a cruz não é apenas memória de dor, mas símbolo da vitória do
amor de Deus sobre o pecado e a morte.
A Crueldade
da Crucificação
(a) A crucificação era a forma
de execução mais cruel e desumana do Império Romano.
(b) Reservada a escravos,
rebeldes e criminosos perigosos; cidadãos romanos eram geralmente poupados
dessa pena.
(c) Era dolorosa (o condenado
morria lentamente por asfixia, exaustão e perda de sangue), vergonhosa
(exposição pública, nu diante da multidão) e humilhante (morte de maldição,
conforme Deuteronômio 21:23; Gálatas 3:13).
(d) Para os judeus, morrer numa
cruz era sinal de estar "maldito por Deus", mas para Deus foi o meio
de manifestar sua maior graça.
A Cruz como
centro do cristianismo
(a) O que era sinal de vergonha
se tornou símbolo de salvação
(b) Paulo afirma: "A
palavra cruz é loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, é o
poder de Deus" (1Co 1:18)
(c) O cristianismo não tem como
símbolo uma coroa, um trono ou uma espada, mas a cruz, porque nela Jesus venceu
o pecado e a morte
(d) A cruz mostra que o caminho
de Deus passa pela entrega, pelo sofrimento e pela vitória final na
ressurreição.
Jesus entre
dois ladrões
Jesus não morreu sozinho, mas
foi crucificado entre dois criminosos, isso cumpre Isaías 53:12 que diz "E
foi contado com os transgressores".
1.3 - A Morte do Filho de Deus
O texto abaixo é um dos textos
mais profundos e messiânicos do Antigo Testamento, descrevendo a obra redentora
de Cristo séculos antes da sua vinda: "Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades,
e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de
Deus, e oprimido. Mas Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas
nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas
pisaduras fomos sarados" (Isaías 53:4,5).
O Servo
Sofredor carrega as nossas dores
Isaías anuncia que o Messias
tomaria sobre si as nossas enfermidades e nossas dores, e isso não se limita
apenas a doenças físicas, mas englobam todo o peso do pecado e suas
consequências (culpa, sofrimento, separação de Deus). Os judeus, porém, não
reconheceu: acharam que Jesus estava sendo castigado por Deus pelos próprios
erros (João 19:7), quando na verdade sofria em lugar dos outros.
Substituição
Vicária
Aqui está o coração do
evangelho: Jesus morreu no nosso lugar: "Ferido pelas nossas transgressões, moído
pelas nossas iniquidades" (Isaías 53:5). Pedro escreveu: "O justo sobre pelos injustos" (1 Pedro
3:18). A cruz não foi acidente
histórico, mas o cumprimento do plano divino da redenção.
Está
Consumado
Quando Jesus declarou na
cruz "Está Consumado" (João
19:30), Ele afirmou que a sua morte
concluiu plenamente o plano de Deus para a redenção. Tudo o que o Antigo
Testamento havia anunciado sobre o Messias sofredor foi realizado, se cumpriu
na cruz.
O sacrifício de Jesus foi
perfeito e suficiente. Diferente dos sacrifícios repetidos do Antigo Testamento
(Hebreus 10:11-14), a morte de Cristo foi uma vez por todas, trazendo perdão e
reconciliação definitiva.
"Está Consumado" foi a
vitória sobre o pecado, a morte e Satanás (Cl 2:14-15). O véu do templo se
rasgou (Mt 27:51), mostrando que o acesso a Deus estava aberto.
2 - Jesus Ressuscitou
A
ressurreição de Jesus é o coração do evangelho, três textos mostram sua
importância em diferentes dimensões. Vamos ver cada um deles :
"E, se
o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós,
aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo Jesus também vivificará os
vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita" (Rm 18:11)
(a) A
ressurreição de Jesus é garantia da nossa ressurreição futura
(b) Assim
como o Espírito Santo deu vida ao corpo morto de Cristo, Ele dará vida também
aos nossos corpos
(c)
Importante: O cristão fiel tem esperança viva, certeza de que a morte não é o
fim para os que estão em Cristo
"Lembra-te
de Jesus Cristo, da descendência de Davi, ressuscitado dentre os mortos,
segundo o meu evangelho" (2 Timóteo 2:8)
(a) Paulo
destaca que o evangelho se fundamenta em dois pilares: Jesus é o Messias
prometido (descendente de Davi) e ressuscitado dentre os mortos
(b) A
ressurreição confirma que Jesus é o Cristo verdadeiro e vitorioso
(c) A
ressurreição confirma que Jesus é o Cristo verdadeiro e vitorioso
(d)
Importante: certeza de que o evangelho não é apenas uma filosofia, mas uma boa
nova baseada em um fato histórico real.
"E, se
Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa
fé" (1 Coríntios 15:14)
(a) Sem
ressurreição, todo o cristianismo perde o sentido
(b) A fé, a
pregação e a esperança seriam inúteis se Cristo continuasse no túmulo
(c)
Importante: a ressurreição é a base da fé cristã, sem ela, não existe salvação,
nem vitória sobre o pecado e a morte.
2.1 - O Sepulcro Vazio
"E no primeiro dia da
semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu
a pedra tirada do sepulcro. Correu, pois, e foi a Simão Pedro e ao outro
discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e
não sabemos onde o puseram" (João 20:1,2)
O Primeiro
dia da semana
(a) O evangelho faz questão de
mencionar que a ressurreição acontece no primeiro dia da semana (domingo)
(b) O domingo se torna, desde
então, o dia do Senhor, celebrado pela igreja como memória da ressurreição
O
Testemunho das Mulheres
(a) Maria Madalena é a primeira
a testemunhar o sepulcro vazio
(b) Isso é teologicamente
significativo, porque na cultura judaica o testemunho feminino não tinha grande
valor legal, mas Deus escolhe justamente uma mulher para ser a primeira
testemunha
(c) Mostra que o evangelho
quebra barreiras culturais e que o Reino de Deus se manifesta na graça, não nos
padrões humanos.
O Sepulcro
vazio como evidência da ressurreição
(a) A pedra removida não foi
para deixar Jesus sair, mas para que os discípulos pudessem ver e crer
(b) O sepulcro vazio é a
primeira evidência histórica da vitória de Cristo sobre a morte
(c) O anúncio de Maria
("Levaram o Senhor...") mostra a perplexidade inicial, mas abre
caminho para a fé: a ausência do corpo não é derrota, mas sinal da vitória de
Jesus sobre a morte
2.2 - João e Pedro chegam ao Túmulo Vazio
"Correu, pois, e foi a
Simão Pedro e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o
Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram. Então Pedro saiu com o outro
discípulo, e foram ao sepulcro" (João 20:2,3)
Disposição
imediata diante da notícia (prontidão)
João e Pedro ao ouvirem o relato
de Maria Madalena, não ficaram parados, mas correm até o sepulcro. Isso mostra
zelo espiritual e desejo de confirmar a verdade.
A atitude de João e Pedro nos
ensina que a verdadeira fé responde com prontidão, amor e coragem diante do
anúncio da ressurreição. Ambos, cada um com sua personalidade, foram levados
pela mesma esperança: encontrar o Cristo vivo.
Aplicação: A fé cristã não é
passiva; ela nos leva a agir, a buscar compreender e experimentar a realidade
da ressurreição.
João, o
discípulo amado - sensibilidade do coração
A reação de João é marcada pela
sensibilidade e amor profundo por Cristo. João correu mais rápido, talvez pela
juventude, mas também mostra um coração ansioso por estar perto do Senhor.
Representa a dimensão afetiva da fé.
Pedro, o
discípulo impulsivo - coragem mesmo após queda
Pedro havia negado Jesus (João
18:17,25-27), mas não se afastou do grupo. Ao ouvir a notícia, não hesita em ir
até o sepulcro. Sua atitude revela coragem em meio à vergonha e desejo de
restauração. Representa a dimensão da perseverança, mesmo após falhas.
2.3 - Ressurreição de Jesus: o Centro da Mensagem
Cristã
O texto de Atos 2:24-36, no
sermão de Pedro no dia de Pentecostes, fica claro que a ressurreição é um fato
histórico e é crucial no plano divino da salvação.
Por que a
ressurreição é fato histórico ?
(a) A ressurreição de Jesus não
foi invenção, mas cumprimento de profecias do Antigo Testamento
(b) Pedro cita o Salmo 16 para
mostrar que a ressurreição já estava nos planos eternos de Deus.
(c) Foi fato histórico porque
teve testemunhas oculares, os apóstolos afirmam ter visto o Cristo
ressuscitado, estavam dispostos a morrer por essa verdade, o que fortalece a
credibilidade do testemunho
(d) De homens assustados e
escondidos, tornaram-se testemunhas ousadas diante das multidões e autoridades.
Esse poder vem da certeza de que Cristo vive.
Por que a
ressurreição é crucial no plano divino da salvação ?
(a) É a vitória sobre a morte: a
ressurreição mostra que a morte não pôde deter Jesus. Garante que quem crê em
Jesus também terá vida eterna (Rm 6:5)
(b) É a exaltação de Cristo como
Senhor: a ressurreição é a prova de que Jesus é o Messias prometido e o
verdadeiro Senhor sobre toda a criação. Sem a ressurreição, não haveria
entronização nem Reino de Deus.
(c) É o fundamento da pregação
apostólica e da fé cristã: o sermão de Pedro no Pentecostes tem como núcleo a
ressurreição. Sem ela, não há evangelho, nem perdão, nem esperança (conforme 1
Coríntios 15:17).
3 - As Testemunhas da
Ressurreição
Antes da ascensão, a Bíblia
registra várias aparições de Jesus ressuscitado a diferentes pessoas e grupos,
confirmando que a ressurreição foi real e histórica, e não apenas simbólica.
Veremos nesse tópico as principais testemunhas de Jesus ressuscitado:
1. Maria Madalena (João 20:11)
2. Outras Mulheres que foram ao
sepulcro (Mateus 28:8-10)
3. Pedro (Simão) (Lucas 24:34; 1
Coríntios 15:5)
4. Dois discípulos a caminho de
Emaús (Lucas 24:13-32)
5. Aos Dez dos onze apóstolos
(exceto Tomé) (João 20:19-23)
6. Todos os Onze apóstolos
(inclusive Tomé) (João 20:24-29)
7. Mais de Quinhentos irmãos (1
Coríntios 15:6)
8. Tiago (1 Coríntios 15:7)
As aparições de Jesus
ressuscitado mostram que ele não voltou à vida de forma espiritual apenas, mas
corporalmente, para que os discípulos tivessem certeza. Cada aparição serve a
um propósito: testemunho, ensino, confirmação da fé, fortalecimento da missão.
A Ressurreição estabelece a realidade histórica da ressurreição, base da fé
cristã e da pregação apostólica.
3.1 - Jesus aparece a Maria Madalena
O texto de
João 20:11-18 mostra que Maria Madalena estava junto ao túmulo, chorando,
porque Jesus havia sido crucificado, enterrado e o sepulcro estava vazio.
Jesus
aparece a Maria Madalena, mas ela não O reconhece.
Quando
Jesus chama "Maria", ela O reconhece e O adora.
Jesus a
envia para anunciar aos discípulos que Ele havia ressuscitado. Pontos
teológicos :
1.
Protagonismo feminino no Evangelho
Maria
Madalena é escolhida como primeira testemunha, mesmo numa cultura que não
valoriza o testemunho feminino. Deus mostra que o evangelho quebra barreiras
sociais e culturais
2. A
ressurreição é pessoal e relacional
Jesus chama
Maria pelo nome, mostrando que Ele conhece cada um pessoalmente. A fé não é
apenas intelectual, mas envolve encontro pessoal com o Cristo vivo.
3. Missão e
anúncio
Maria
recebe a tarefa de anunciar a ressurreição aos discípulos. A ressurreição não é
só vitória sobre a morte, mas também impulso para missão e evangelização.
3.2 - Jesus aparece a Dez dos Onze Discípulos
Esse episódio é registrado em
João 20:19-23, no primeiro dia da semana, à tarde, os discípulos estavam
reunidos com portas trancadas por medo dos judeus. Jesus aparece no meio deles
e diz: "Paz seja convosco". Jesus mostra as mãos e o lado para
que reconhecessem que era Ele mesmo, ressuscitado em corpo real.
3.3 - Jesus aparece aos Onze Discípulos
Esse episódio é registrado em
João 20:24-29, Jesus apareceu aos onze discípulos, desta vez incluindo Tomé,
que havia duvidado da ressurreição.
Tomé coloca o dedo em Jesus e
crê que Ele ressuscitou dizendo: "Senhor meu e Deus meu", Jesus
conclui: "Porque me viste, creste; bem-aventurados os que não viram e
creram".
Nesse episódio aprendemos alguns
pontos teológicos:
1. A
Ressurreição foi comprovada
Jesus permite que Tomé toque
suas feridas, mostrando que Ele ressuscitou com corpo físico.
2. Vimos O
Valor da Fé e da dúvida
A duvida de Tomé representa as
dúvidas humanas. Jesus não condena Tomé; Ele oferece prova para conduzir à fé,
mostrando que a fé é um encontro com a realidade de Cristo.
3. Vimos a
Bem-aventurança da fé sem ver
Jesus declara que aqueles que
crerem sem ver são bem-aventurados. Destaca que a fé cristã é baseada na
confiança na palavra e nas testemunhas. Jesus ensina que a fé é possível e
abençoada mesmo sem ver diretamente, estabelecendo fundamento para todos os crentes
posteriores.
Comentário
Pr. Éder Tomé

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