Gálatas 5.1-9.
INTRODUÇÃO
Nesta lição, Paulo trata de uma situação em que é preciso
fazer uma escolha: ou os gálatas criam em Cristo e viviam pela fé, ou se
firmavam na circuncisão. Ele mostra que a liberdade que conseguiram em Cristo
pode ser retirada quando eles decidem substituir o Evangelho de Jesus, que
receberam pela fé, pela guarda da Lei, de preceitos que não lhes foi ordenado
guardar. Os falsos ensinos tinham suas consequências. Os gálatas estavam caindo
da graça, brigando uns com os outros e dando ocasião à carne.
I. A CIRCUNCISÃO TEM ALGUM VALOR?
1. Estejam firmes na liberdade. Paulo orienta que os gálatas
sejam firmes, não vacilantes, na liberdade que receberam do Evangelho (Gl
5.13). Era como se eles devessem assumir uma posição fortificada, e por ela
lutassem. Essa posição era a liberdade ofertada por Cristo, que corria o risco
de ser perdida caso aderissem de vez à Lei de Moisés e desprezassem o ensino do
apóstolo. Toda a pregação de Paulo estaria em risco por conta do desvio
doutrinário trazido por legalistas.
A perseverança era mais do que ter uma atitude diante de
outras pessoas. Era também uma convicção que deveriam ter, de forma pessoal,
pois haviam sido libertos por Cristo e tinham, pelo Evangelho, a liberdade de
serem considerados filhos de Deus.
2. Não se coloquem debaixo de servidão. Ganhar a liberdade é
difícil, mas perdê-la é fácil. Deus pôs em liberdade os filhos de Abraão
retirando-os da escravidão egípcia, mas quando chegaram à Terra Prometida, por
se esquecerem de Deus, acabaram sendo subjugados pelos povos que não expulsaram
daquela terra. Nos dias de Paulo, os romanos subjugavam não apenas Israel, mas
também outros povos conhecidos. Os gálatas mesmo tinham os romanos como
senhores, e sabiam que a “liberdade” que tinham não era completa.
Ao ensinarem sobre a Lei de Moisés como um adicional à graça
de Deus, os judaizantes acrescentavam culpa à vida dos gálatas, pois se esses
não cumprissem os 613 mandamentos que a Lei possuía, então, por causa de uma
única transgressão a um único mandamento, esses gálatas seriam condenados pela
Lei toda.
Esse é o resultado de trocar o Evangelho pelas obras e pelo
esforço próprio. Eles estavam entrando em uma dívida impagável, que por sinal,
Cristo já havia quitado. Outra observação é a de que Paulo os responsabiliza
pelo abandono da liberdade para se colocarem sob servidão.
3. Guardar a Lei obriga o crente a guardá-la toda. O padrão
da Lei é altíssimo, e quando uma pessoa não consegue guardá-la por completo,
ela se coloca debaixo de uma maldição. Isso estava acontecendo com os gálatas:
por acrescentarem ao Evangelho a guarda da Lei, eles estavam se colocando
debaixo de uma servidão não somente desnecessária, mas não planejada por Deus.
É possível que os gálatas pensassem que, por viver uma vida
antes desregrada, poderia ser interessante se submeterem a um conjunto de
regras que lhes desse uma identidade, um direcionamento. Entretanto, a guarda
da Lei era um peso até mesmo para os próprios judeus. Pedro, em uma reunião com
outros líderes, reconheceu isso quando fariseus crentes exigiram a circuncisão
dos gentios que aceitaram a Jesus: “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo
sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós podemos
suportar?” (At 15.10).
O problema era o pecado que a Lei revelava naqueles que a
guardavam. O que Paulo nos mostra é que os judaizantes ensinavam a circuncisão
como algo obrigatório, mas que os gálatas tinham a opção de não a fazer: “se
vos deixardes circuncidar” (Gl 5.2). Cabia aos crentes não caírem naquele
problema. Se guardassem os mandamentos do Senhor, não precisariam passar por
uma cirurgia dolorosa e desnecessária. Mais que isso, Deus tinha como objetivo
tratar com corações de carne, e não com uma marca na pele dos homens. Quantos
problemas podemos evitar se simplesmente observarmos a Palavra de Deus e
decidirmos atender ao que estamos aprendendo? Os gálatas é que decidiriam por
essa situação.
II. O FERMENTO LEVEDA TODA A MASSA
1. Separados de Cristo. Guardar a Lei implicava uma
matemática estranha: crer em Jesus e fazer a circuncisão. O resultado dessa
conta era invalidar o sacrifício de Jesus e se colocar debaixo de uma
escravidão.
Como membros do Corpo, os gálatas, que deveriam estar
ligados a Jesus, mas estavam se separando dEle, e um membro separado do corpo
morre. Aceitando a Lei, os gálatas renunciavam a graça. Não dava para ter os
dois. Esse não era o plano de Deus.
2. Corriam bem. No mundo grego, a corrida era um esporte
bastante praticado por atletas e soldados. Não tinha um custo financeiro alto,
mas exigia do atleta força e resistência. Não bastava ter musculatura, era
preciso saber respirar e manter a respiração condicionada ao movimento de
projetar o corpo para a frente, continuamente e por um longo tempo, até chegar
no destino proposto. Os gálatas corriam bem, diz Paulo. Mas eles pararam.
Alguém lhes tirou o fôlego, acrescentando um peso desnecessário.
O que eles não perceberam era que, ao aceitar um pequeno
“corte de pele”, no próprio corpo, estavam depositando, sem perceber, a sua
confiança em ações humanas. Isso implicava parar de confiar em Jesus.
Um acontecimento olímpico público pode nos fazer entender o
que Paulo diz. O atleta brasileiro Vanderlei Lima corria em 2004 nos jogos
olímpicos de Atenas, quando, faltando 7 km, e estando em primeiro lugar na
disputa, foi empurrado e segurado por um homem que assistia à corrida, e
fazendo com que ele perdesse a vantagem diante dos seus competidores. Ele
concluiu a corrida em terceiro lugar, e posteriormente foi homenageado com a
medalha Pierre de Coubertin, uma honraria concedida aos que demonstram resistência
e ética nas atividades esportivas. Esse exemplo nos mostra que fatores externos
podem influenciar negativamente a nossa corrida para a eternidade. Pior do que
ser parado, os gálatas estavam desobedecendo à verdade do Evangelho (Gl 5.7).
3. O fermento. O fermento biológico é um agente levedante
que possui micro-organismos vivos, e que uma vez inserido numa massa, faz com
que ela cresça. Ele transforma a condição da massa, aumentando seu volume por
meio da fermentação. Na culinária é um excelente recurso para a fabricação de
pães e bolos, mas é igualmente uma referência a um elemento que distorce
descontroladamente o ambiente em que foi inserido.
O fermento dos judaizantes havia sido colocado entre os
gálatas e estava crescendo. Uma pitada de uma doutrina errada tem a capacidade
de distorcer não só o entendimento dos santos sobre as coisas de Deus, mas pode
distorcer também a prática cristã.
III. LIBERDADE X CARNALIDADE
1. A condenação dos falsos ensinadores. “Eu quereria que
fossem cortados aqueles que vos andam inquietando (v.12)”. Há um ditado popular
que ilustra essa sentença: “o mal se corta pela raiz”. Paulo mostra que os
perturbadores dos gálatas seriam condenados. Eles não ficariam impunes, pois
estavam atrapalhando o Evangelho com uma mensagem legalista.
2. Dando ocasião à carne. Outro perigo pelo qual aquelas
igrejas passavam era dar ocasião à natureza humana por observarem a Lei. Paulo
fala que a liberdade que receberam não poderia ser utilizada para que a carne
prevalecesse. Os gálatas deveriam se valer da liberdade que ganharam em Cristo
para servirem melhor a Deus e uns aos outros: “Não useis, então, da liberdade
para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor (v.13)”. O
serviço cristão é um ponto forte da vida de fé, pois é necessário que tenhamos
comunhão uns com os outros. Escravos brigam entre si. Filhos ajudam-se uns aos
outros.
3. O cuidado de uns para com os outros. A prática da
liberdade cristã nos impulsiona a cuidar uns dos outros. Se os gálatas
desejavam guardar a Lei, que se lembrassem do mandamento “Amarás o teu próximo
como a ti mesmo”. Parece que na Galácia os judaizantes conseguiram não somente
atrapalhar o entendimento da salvação pela graça, mas também gerar conflitos
entre os irmãos, pois Paulo escreve: “Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns
aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros (v.15)”. Como crianças
que estão em um momento de descontração e poderiam fazer muitas coisas juntas,
decidem brigar umas com as outras porque não querem esperar a sua vez ou por
discordarem de uma atividade em conjunto. A liberdade mal direcionada e mal
vivida pode trazer a destruição.
CONCLUSÃO
É possível que o legalismo tenha atraído pessoas e feito com
que pensassem que eram mais santas e serviam melhor a Deus, mas Paulo nos
mostra que se o Espírito Santo não agir em nossas vidas, de nada servirá
guardar regras. Praticar as obras da Lei era pegar um desvio que os levaria
para fora do caminho pretendido por Deus. Somos livres para andar no Espírito,
ser guiados por Deus e usufruir das bênçãos da salvação e da adoção de filhos
que recebemos, e não podemos trocar essas graças por práticas que vão exaltar a
nossa humanidade e diminuir o poder do sacrifício feito pelo Senhor em nosso
lugar.

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